DIREITO DO TRABALHO-XV EXAME


predio_oabROFISSIONAL Aplicada em 11/01/2015
ÁREA: DIREITO DO TRABALHO
“O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta,
podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.”
Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.”
Padrão de Resposta Página 1 de 6
Prova Prático-Profissional – XV Exame de Ordem Unificado
PADRÃO DE RESPOSTA – PEÇA PROFISSIONAL
Enunciado
Tramita perante a 89ª Vara do Trabalho de Curitiba a RT nº 000153-80.2012.5.09.0089, ajuizada em 06/05/2012
por Sérgio Camargo de Oliveira, assistido por advogado particular, contra o Supermercado Onofre Ltda. Nela foi
proferida sentença que, em síntese, assim julgou os pedidos formulados a seguir.
(i) Foi reconhecida a ilicitude da confessada supressão das comissões, que eram pagas desde a admissão,
ocorrida em 13/10/2005, mas abruptamente ceifadas pelo empregador em 25/12/2006. Entendeu o
magistrado que a prescrição, na hipótese, era parcial, alcançando os últimos 5 anos, e não total como
advogado na peça de bloqueio, já que se tratava de rubrica assegurada por preceito de lei, além de se tratar
de alteração prejudicial ao empregado, vedada pelo Art. 468, caput, da CLT.
(ii) Foi deferido o pagamento de duas cotas mensais de salário-família para os filhos capazes do reclamante,
que, na admissão do obreiro, contavam com 15 e 17 anos, respectivamente. Enfatizou o magistrado que não
foi solicitada a documentação pertinente quando do ingresso do demandante, gerando prejuízo financeiro
para o trabalhador.
(iii) Foi concedida indenização por dano moral pela humilhação sofrida pelo reclamante na saída. É que, por
determinação do empregador, ele foi comunicado de sua dispensa por intermédio de um colega de trabalho
que exercia a mesma função, que o chamou em particular numa sala, para lhe dar a fatídica notícia.
Encampou o magistrado o entendimento do reclamante, no sentido de que somente um superior hierárquico
poderia informar acerca da ruptura contratual, e que a forma eleita pela ré seria indigna e vexatória.
Uma vez que o autor foi contratado em substituição ao Sr. Paulo, dispensado em 05/10/2005, foi deferida a
diferença salarial, porque o antecessor auferia salário 20% superior ao do reclamante, o que, segundo a decisão,
violaria os princípios constitucionais da isonomia e da dignidade da pessoa humana.
Foi deferida a reintegração ao emprego, porque na dispensa, ocorrida em 06/04/2012, o autor não foi submetido
a exame demissional, conforme previsto no Art. 168, II, da CLT, gerando então, na ótica do reclamante e do
magistrado, garantia no emprego. Contudo, a tutela antecipada foi indeferida, pois foi constatado por perícia
judicial que o autor encontrava-se em perfeito estado de saúde.
Foi concedida verba honorária na razão de 15% sobre a condenação.
A sentença foi proferida de forma líquida, com valor de R$ 60.000,00 e custas de R$ 1.200,00.ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO
PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Aplicada em 11/01/2015
ÁREA: DIREITO DO TRABALHO
“O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta,
podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.”
Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.”
Padrão de Resposta Página 2 de 6
Prova Prático-Profissional – XV Exame de Ordem Unificado
Considerando que todos os fatos apontados são verdadeiros, e não cabendo Embargos de Declaração, visto que a
decisão foi clara em todos os aspectos, apresente a peça pertinente aos interesses da empresa, sem criar dados
ou fatos não informados. (Valor: 5,00)
A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão.
Gabarito Comentado
Estrutura – Elaboração de um recurso ordinário interposto pela empresa, com direcionamento do recurso ao juiz
de 1º grau e destinação das razões recursais ao TRT. Indicação, na peça de apresentação do recurso, de que está
sendo realizado o recolhimento das custas e do depósito recursal.
Em relação à comissão, o candidato deve sustentar que a prescrição na hipótese é total, na forma da OJ 175 do
TST: “Comissões. Alteração ou Supressão. Prescrição Total. A supressão das comissões, OU a alteração quanto à
forma ou ao percentual, em prejuízo do empregado, é suscetível de operar a prescrição total da ação, nos termos
da Súmula n. 294 do TST, em virtude de cuidar-se de parcela não assegurada por preceito de lei”. Desse modo,
deve ser extinto o processo com resolução do mérito.
Em relação ao salário família, o candidato deve postular a reforma do julgado para excluir a condenação, pois a lei
prevê que a idade máxima dos filhos capazes, para fins de recebimento desse benefício previdenciário, é de 14
anos.
Em relação ao dano moral pela dispensa, não se cogita qualquer violação a aspecto da personalidade do autor
porque não existe lei que obrigue a informação da ruptura por um superior. O comunicado feito por colega de
trabalho de mesmo nível hierárquico é adequado, mormente porque feito em lugar reservado.
No tocante à diferença salarial, deverá sustentar que o substituto, quando se tratar de cargo vago, não tem
direito assegurado ao mesmo salário do antecessor, na forma da Súmula nº 159, II, do TST: “Substituição de
caráter não eventual e vacância do cargo… II – Vago o cargo em definitivo, o empregado que passa a ocupá-lo
não tem direito a salário igual ao do antecessor”.
Deverá sustentar que a ausência de exame demissional não é causa de garantia no emprego ou estabilidade,
especialmente porque o laudo comprovou que o empregado estava apto, de modo que não há base legal para a
reintegração deferida. Trata-se apenas de irregularidade administrativa que não pode ter o condão de gerar a
reintegração.
Não estão presentes os requisitos para deferimento dos honorários advocatícios, já que o autor está assistido por
advogado particular, não implementando os requisitos da Súmula 219 do TST, Lei nº 5.584/70, Art. 14 e OJ 305
TST.
Encerramento renovando a preliminar de prescrição total em relação às comissões e, no mérito, pugnar pela
improcedência dos pedidos.ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO
PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Aplicada em 11/01/2015
ÁREA: DIREITO DO TRABALHO
“O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta,
podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.”
Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.”
Padrão de Resposta Página 3 de 6
Prova Prático-Profissional – XV Exame de Ordem Unificado
PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 1
Enunciado
O sindicato dos empregados nas usinas de açúcar de Linhares (ES) entabulou convenção coletiva contemplando
diversos direitos para os trabalhadores, dentre os quais a entrega de uma cesta básica mensal. Porém, logo após,
iniciou-se divergência sobre a quantidade e a qualidade dos produtos que deveriam integrar a referida cesta
básica, tendo o sindicato dos empregados decidido ajuizar ação na Justiça do Trabalho.
Diante desse quadro, responda aos itens a seguir.
A) De acordo com a lei, é necessário, ou não, comum acordo para que seja instaurado dissídio coletivo de
natureza jurídica? (Valor: 0,85)
B) De acordo com a lei, qual é o prazo máximo de vigência de uma sentença normativa? Apresente fundamento
legal que justifique sua resposta. (Valor: 0,40)
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado
A) É desnecessário o comum acordo, pois a CF/88 o exige apenas nos dissídios coletivos de natureza econômica,
conforme Art. 114, § 2º.
B) O prazo máximo é de 4 anos, conforme Art. 868, § único, da CLT.ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO
PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Aplicada em 11/01/2015
ÁREA: DIREITO DO TRABALHO
“O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta,
podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.”
Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.”
Padrão de Resposta Página 4 de 6
Prova Prático-Profissional – XV Exame de Ordem Unificado
PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 2
Enunciado
Pedro e Paulo ajuizaram uma reclamação trabalhista cada. Ambas idênticas, sob o mesmo patrocínio e com
pedido de antecipação de tutela para reintegração. Pedro obteve êxito na concessão da antecipação de tutela
liminarmente, antes da audiência de instrução. Paulo só teve o pedido de antecipação de tutela deferido na
sentença.
A) Na qualidade de advogado da empresa, qual a medida judicial a ser utilizada para reverter os efeitos da
tutela deferida a Pedro? (Valor: 0,60)
B) Na qualidade de advogado da empresa, que medidas judiciais deverão ser adotadas para suspender e
reverter os efeitos da tutela deferida a Paulo? (Valor: 0,65)
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado
A) No caso de Pedro, tratando-se de decisão interlocutória, por não haver recurso específico cabível, será
procedente a impetração de Mandado de Segurança (0,40), na forma da Súmula 414, II, do TST (0,20).
B) No caso de Paulo, como se trata de decisão definitiva, caberá Recurso Ordinário, devendo-se ajuizar ação
cautelar incidental para dar efeito suspensivo ao recurso ordinário (0,45) conforme Súmula 414, I, do TST
(0,20).ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO
PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Aplicada em 11/01/2015
ÁREA: DIREITO DO TRABALHO
“O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta,
podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.”
Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.”
Padrão de Resposta Página 5 de 6
Prova Prático-Profissional – XV Exame de Ordem Unificado
PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 3
Enunciado
Raquel Infante nasceu em 5 de maio de 1995 e foi admitida na empresa Asa Branca Refinaria S/A em 13 de maio
de 2011, lá permanecendo por 4 meses, sendo dispensada em 13 de setembro de 2011. Em razão de direitos a
que entende fazer jus e que não foram pagos, Raquel ajuizou reclamação trabalhista em 20 de dezembro de
2013. Em contestação, a empresa suscitou prescrição total (extintiva), pois a ação teria sido ajuizada mais de 2
anos após o rompimento do contrato.
A respeito do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir.
A) Analise se ocorreu prescrição total (extintiva) na hipótese, justificando. (Valor: 0,65)
B) Analise se Raquel poderia ser designada para trabalhar em jornada noturna, justificando. (Valor: 0,60)
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado
A) Não ocorreu prescrição total (extintiva), porque isso só teve início quando a empregada completou 18 anos
(CLT, Art. 440, da CLT), ou seja, a partir de 5 de maio de 2013. Assim, a ação poderia ser apresentada com
garantia de análise até 5 de maio de 2015.
B) Não poderia, pois a lei veda o trabalho noturno para menores de 18 anos, segundo o Art. 7º, XXXIII, da CF/88,
ou Art. 404 da CLT, ou, ainda, Art. 67, I, do ECA.ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO
PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL Aplicada em 11/01/2015
ÁREA: DIREITO DO TRABALHO
“O gabarito preliminar da prova prático-profissional corresponde apenas a uma expectativa de resposta,
podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.”
Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.”
Padrão de Resposta Página 6 de 6
Prova Prático-Profissional – XV Exame de Ordem Unificado
PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 4
Enunciado
Determinado empregado ajuizou ação trabalhista em face de seu empregador (empresa de serviço fornecedora
de mão de obra na área de limpeza), logo após haver sido dispensado. Na ação aduziu que era detentor de
estabilidade decorrente de doença acidentária, supostamente causada pelo trabalho. Para tanto, juntou aos
autos carta de concessão de benefício previdenciário por doença comum, não produzindo qualquer outra prova.
A empregadora ré apenas negou que a doença era decorrente do trabalho desempenhado.
Sobre o caso apresentado, utilizando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao
caso, responda aos itens a seguir.
A) Indique, sob o aspecto da distribuição do ônus da prova, a quem caberia comprovar se a doença do empregado
decorre ou não do trabalho. (Valor: 0,65)
B) Qual o outro meio de prova passível de utilização no caso em tela? (Valor: 0,60)
O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado
A) O examinando deve indicar que o ônus da prova cabe à parte autora, pois se trata de fato constitutivo de seu
direito, nos termos do Art. 333 do CPC e do Art. 818 da CLT.
B) O nexo de causalidade precisa ser demonstrado por meio de prova pericial médica, nos termos do Art.21-A da
Lei nº 8.213/91 OU da Súmula 378, II, do TST.



Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: [email protected]

Comentários com Facebook




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.