MACAIBA RN-Exportações do RN sobem, em meio a dificuldades
O dólar fechou a semana perto de R$ 4, um pouco abaixo de cotações recordes que alcançou nos últimos dias. A valorização tem favorecido a pauta de exportações. E o RN, apesar de problemas com recursos hídricos – seca histórica que afeta a fruticultura irrigada – e falta de incentivos específicos para o segmento, está presente nesta esteira de crescimento. Para especialistas, contudo, gargalos podem afetar o futuro.

De acordo com Luiz Henrique M. Guedes, gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Fiern, o atual momento do dólar deve levar os exportadores potiguares à maximizarem a movimentação financeira da pauta neste ano, que até agosto registra alta de 30,32% em relação ao acumulado no mesmo período de 2014. O número, no entanto, inclui o óleo combustível, que não é constante entre os produtos que o estado exporta.
“A alta do dólar é positiva para os segmentos. Quem já estava exportando e manteve seus embarques, é bastante beneficiado”, afirmou Luiz Guedes. Para o especialista, porém, o fato não modifica a situação para quem ainda não está na atividade. “As empresas, em um momento de alta desse, precisam se reposicionar no mercado, para poderem entrar na pauta. Não tem como prever até quando o dólar vai se manter nesse valor e já há toda uma concorrência ativa”, pontuou.
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Ainda segundo Guedes, esta situação de atrativos momentâneos reflete-se também nos produtos exportados entre 2014 e 2015, onde houve o incremento do “fuel oil” – óleo combustível – que nos últimos meses deste ano movimentou mais de US$ 47 milhões, sendo, em sua totalidade, comprado pelas Antilhas Holandesas.
“É um produto novo e que não dá para dizer se vai permanecer na pauta potiguar. A gestão é da Petrobras e ela possui refinaria em diversos Estados. Os números s ão bons. Mas, assim como ocorreu em outros anos, quando a Petrobras exportou petróleo do RN, isso não se confirmou”, disse Guedes. E acrescentou: “Temos que olhar os setores de forma específica. Separar o óleo combustível, o sal marinho, os tecidos de algodão, os peixes e a fruticultura. Eles, de forma independente, é que são atrativos”.
Água
Na fruticultura potiguar, inclusive, há duas grandes exportações – melão e mamão – em situações distintas nos cuidados com a utilização de recursos hídricos. “Eles estão ganhando dinheiro, mas, não há muito como expandir a produção em determinadas áreas. É preciso continuar com o que está produzindo ou migrar para outros locais, no caso do melão. Esta é a preocupação, mas, o valor exportado vive um bom momento, para ambas”, declarou Aldemir Freire, economista e chefe do IBGE no RN.
A posição é compartilhada pelo secretário Mairton França, titular da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh). “Toda a nossa fruticultura é irrigada e depende de reservatórios, onde são usados barragens e aquíferos. O baixo Açu, por exemplo, pode ser prejudicado, porque é abastecido pela Barragem Armando Ribeiro, que atualmente está com apenas 25% de sua capacidade. Mas, lá não tem uma participação tão expressiva na pauta de exportações. As outras regiões estão mais tranquilas e algumas produções até não foram afetadas, como o mamão”, comentou.
Para França, no entanto, é preciso uma integração maior entre Estado, produtores e exportadores, com o objetivo de melhorar o entendimento sobre a disponibilidade hídrica do RN. “Já tivemos 116 secas em 450 anos registrados. E, ainda continuamos operando com carros-pipa. Temos que aprender com os erros. A Armando Ribeiro precisa garantir água até 2017 e, na região de Mossoró, os aquíferos não podem chegar ao futuro rebaixados”, salientou.
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