A PALAVRA DO DIA-Senhor da criação, Senhor da história (Salmo 24)


Se você quer saber qual é o enredo das Escrituras Sagradas, aí está um bom mapa para sua orientação: Criação, Queda, Redenção, Consumação.

Em outro post exploramos este assunto chamando-o de Cosmovisão. Agora, porém, neste Salmo 24 temos a representação desse mapa em poucos versículos. Texto precioso no qual devemos focar nossa atenção.

A criação – Salmos 24.1-2

“Ao Senhor pertencem a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele habitam. Porque ele a estabeleceu sobre os mares e firmou-a sobre as correntes” (Sl 24.1,2).

Talvez isso seja uma grande novidade para você, mas a sua vida não é realmente sua. Suas coisas não são de fato suas, e nem seus amigos e familiares são realmente seus. Este texto afirma que a vida, e tudo o que existe, pertencem a Deus. Em Gênesis 1.1 temos a afirmação da Cosmovisão cristã; ou seja, como um cristão lê o mundo, com qual lente ele o vê.

Lemos o mundo a partir da afirmação de que a criação parte de Deus: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1).

Deus tem a prerrogativa sobre todas as coisas. Ele planeja a criação, dá forma e sustenta todas as coisas como elas estão. Vivemos o plano de Deus da maneira que Ele o concebeu desde o princípio. O versículo 2 dá mais argumentos para esse domínio:“Porque ele a estabeleceu sobre os mares e firmou-a sobre as correntes”. Em Apocalipse 4.11 Deus é louvado pelo fato de ter criado todas as coisas a partir da sua própria vontade. Não há outra razão pela qual tudo veio à existência, senão a única e própria vontade de Deus.

Portanto, não seria demais afirmarmos que não vivemos nossa própria história, mas vivemos a história de Deus, no mundo de Deus, na criação de Deus e com as pessoas de Deus.

E o texto do Salmo 24 continua…

A queda – Salmos 24.3

“Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem poderá permanecer no seu santo lugar?” (Sl 24.3).

Após entender que Deus é o dono de toda a criação, Davi percebe um problema: o monte do Senhor é Jerusalém, onde se encontrava o templo. Ele cria que Deus estava no templo, por isso estar no templo era estar na presença do próprio Deus. Deus é santo. O lugar onde Deus está é santo. Sendo santo ele pergunta: “Quem poderá permanecer no seu santo lugar?”. De fato, este é um problema terrível!

Nós, seres humanos, criação de Deus, traímos a Deus, somos todos pecadores, desobedientes e separados por completo da graça de Deus. Gênesis 3 narra a queda do homem. Pelo engano da serpente, homem e mulher desobedeceram a Deus.

Romanos 5.12 afirma: “Portanto, assim como o pecado entrou no mundo por um só homem, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, pois todos pecaram”.

Essa é nossa realidade. Após a criação caímos em desobediência. Vivemos no mundo de Deus como pecadores, seres caídos que estão debaixo da injustiça e sem condições de estar diante do Deus santo.

A pergunta do versículo 3 (“Quem poderá permanecer no seu santo lugar?”) é retórica porque a resposta é óbvia demais. Ninguém pode estar no santo lugar onde o Deus santo habita. Na criação Deus nos fez santos e Adão desfrutava da presença de Deus, mas após a queda, a própria santidade de Deus nos expele de sua presença.

A redenção – Salmos 24.4-6

“Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega sua vida à mentira, nem jura com engano. Esse receberá uma benção do Senhor e a justiça do Deus que lhe dá salvação. Assim será a geração dos que o buscam, dos que buscam tua presença, ó Deus de Jacó” [interlúdio] (Sl 24.4-6).

Depois de dizer que Deus é dono de toda a criação e que somos pecadores sem as condições necessárias para estar no santo lugar, Davi identifica quem poderá estar diante de Deus. Porém, esse alguém só poderá estar sob determinadas condições: tem de ser limpo de mãos e puro de coração – esse texto me remete ao Sermão do Monte em Mateus 5.8 – “Bem-aventurados os limpos de coração, pois verão a Deus.”

É interessante como essa bem-aventurança premia aqueles que são limpos de coração com a própria presença de Deus. Os limpos de coração, aqui, não são aqueles que se autopurificam, mas são os que são purificados e têm seu coração transformado como na profecia de Ezequiel 36. 25-27.

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; eu vos purificarei de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos. Também vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Também porei o meu Espírito dentro de vós e farei com que andeis nos meus estatutos; e obedecereis aos meus mandamentos e os praticareis”.

Recebemos com este texto mais luz sobre o texto anterior. Limpos de coração são aqueles que são purificados com essa água purificadora, ou seja, é uma ação externa que vai transformar um coração de pedra em coração de carne. Um coração obstinado e desobediente passará a obedecer e agradar ao Senhor.

Limpos de mãos e puros de coração são aqueles que o Senhor prepara para que estejam diante de Si. A estes Deus regenera, salva e os coloca em condições de participarem da sua presença.

Mas Deus não apenas salva e prepara! É surpreendente que neste salmo seja inserida a imputação de justiça.

“… e a justiça do Deus que lhe dá a salvação”.

– Quem é o Deus que nos dá salvação? É isso mesmo, Jesus Cristo é o Deus que nos salva – “Ela dará à luz um filho, a quem darás o nome de Jesus; porque ele salvará seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21).

Algo que Lutero entendeu, e por isso se deu todo o movimento da Reforma Protestante, foi a justificação pela fé. Jesus Cristo conquistou, na cruz, muitas coisas para o seu povo, e uma das mais emocionantes foi a transação ali realizada. Cristo levou nossos pecados e nos deu sua justiça fazendo com que fôssemos vistos por Deus como filhos justos e inculpáveis. Ainda somos pecadores, enquanto estivermos na carne, mas Deus já nos vê como justificados pela obra de Cristo. Que maravilha!

É isso que afirma o versículo 5. Receberemos justiça do Deus que nos salva e assim poderemos habitar com Ele no santo lugar, pela obra purificadora de Cristo.

Esse povo, agora tem essa marca – “Assim é a geração dos que o buscam, dos que buscam a tua presença…” (v.6). Aqueles que buscam o Senhor são os que foram purificados, regenerados e salvos pela graça e, somente pela graça.

A consumação – Salmos 24.7-10

“Levantai, ó portas as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, para que entre o Rei da Glória. Quem é o Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na batalha. Erguei-vos, ó portas, erguei-vos, ó entradas eternas, para que entre o Rei da Glória. Quem é esse Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos; ele é o Rei da Glória” (Sl 24.7-10).

Deus é o dono da criação. Os homens são pecadores. Os perdoados, regenerados e justificados são purificados e podem estar diante de Deus pela obra de Cristo. Ao final do versículo 6 temos entre colchetes a observação [Interlúdio]. Outras versões utilizam [Selá] ou [Pausa]. Com isso, o salmo ganha novo ambiente. Existe aqui uma cisão entre o antes e o depois. Neste ponto se inicia uma espécie de Doxologia (ver acima versículos de 7 a 10).

Jesus Cristo desceu para a batalha. Em Filipenses 2, Paulo revela, no versículo 7, que Jesus esvaziou-se a si mesmo, assumiu a forma de servo e na forma de homem, humilhou-se sendo obediente até a morte, e morte de cruz.

Essa foi a batalha que Cristo enfrentou. Deixou a sua glória, o seu poder e veio aqui para ser morto. Por essa obra completa “Deus também o exaltou com soberania e lhe deu o nome que está acima de qualquer outro nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra” (Fl 2.9,10).

O Salmo 24.7 narra o retorno em glória do Salvador Jesus Cristo. É como se o salmista dissesse aos portais eternos:

– Abram-se, expandam seus limites, pois passará por aqui um general tão vencedor, tão vitorioso que jamais se viu tamanha glória! Quem entra agora por esses portões é o Rei da Glória!

Imaginem as entradas triunfais dos reis humanos, com clarins, cantores e poetas anunciando a sua majestade. É nesse espírito que entra o Rei da Glória. Com glória jamais vista nos céus e na terra, trazendo consigo um povo comprado pelo preço do seu sangue.

Essa é a consumação dos séculos. Onde os redimidos e justificados estarão vivendo em glória ao lado do Deus-homem, o Todo-Poderoso que tem o nome sobre todo o nome. Agora sim, pela obra de Cristo podemos habitar o santo lugar dando glórias a Deus, o Criador dos céus e da terra.

– Mas quem é esse Rei da Glória?

– JESUS CRISTO é o Rei da Glória!

* a versão bíblica utilizada neste texto é a Almeida Século 21.

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