SÃO GONÇALO DO AMARANTE RN-Conceito de cooperativismo nunca foi tão atual, avalia Manoel Santa Rosa


A pandemia do novo coronavírus provocou mudanças e transformações na forma de organização do trabalho e produção econômica. Neste cenário, segundo Manoel Santa Rosa, presidente do Sicoob potiguar, o cooperativismo tem mostrado criatividade e resiliência para superar crises.

“É preciso, antes de mais nada, sobrevivermos, e aí preparar a retomada de maneira enxuta, com os pés no barro, com humildade, mas com muita sede de fazer acontecer. A retomada já bate à porta, e o Sicoob buscará ser o principal parceiro do desenvolvimento local”, disse ele, em entrevista ao Agora RN.

Manoel Santa Rosa também falou das ações da Sicoob para fortalecer o segmento em todo o Estado, bem como das diferenças do cooperativismo em relação ao sistema bancário tradicional.

AGORA RN – Dizem que é na crise que os modelos cooperativistas, em todas as áreas, crescem. O senhor concorda com isso?

Manoel Santa Rosa – Eu concordo, acredito, e por isso tenho dedicado uma vida inteira aos movimentos associativos – e ao cooperativo em particular. Para a gente que veio do sertão seco e escasso de oportunidades, a crise sempre foi elemento permanente em nossas vidas. Marcou nossa história para a resistência e para a criatividade. Conviver com desafios era o nosso dia a dia. Era na união da família, da comunidade, que encontrávamos as forças e o entendimento que juntos faríamos mais e melhor para vencermos as adversidades. Isso é o cooperativismo. Portanto, estamos revigorados de energia e de compromisso com a superação dos desafios desta crise.

AGORA – Desde que a pandemia se instalou o senhor sentiu alguma mudança local na adesão ao cooperativismo de crédito?

MSR – Mais do que o crédito, o nosso associado pode encontrar em nossa cooperativa o compromisso genuíno com a sobrevivência dos seus negócios ou da saúde financeira de suas contas pessoais. No cooperativismo financeiro, visamos o desenvolvimento das pessoas e dos negócios, diferente de um banco tradicional, onde o foco é o lucro deles, e o cliente fica em segundo plano. Na pandemia, diminuímos o interesse em prospecção de novos associados e focamos na busca de suprir as necessidades dos nossos associados. Mas, com certeza, cada vez mais pessoas e empresas descobrem que o cooperativismo financeiro é o melhor parceiro de seus empreendimentos.

AGORA – Nunca o sistema bancário tradicional, que no Brasil é extremamente enxuto, sentiu tanto a concorrência de instituições já nascidas no modelo digital. Como o senhor enxerga o modelo do cooperativismo de crédito se movimentado nesse ambiente?

MSR – Enxuto é porque você quis ser generoso. O sistema bancário no Brasil é muito oligopolizado e vivencia pouca concorrência. E concorrência e competitividade são fundamentais para a inovação, criatividade, diminuição de preços, ganho de produtividade e o desenvolvimento em si. Claro, equilibrando com o princípio da solidariedade, que é a base do cooperativismo. Então, vejo com otimismo a concorrência e a chegada das fintechs, o cooperativismo nasce para, conjuntamente com seus associados, superar as limitações bancárias e melhorar os custos de suas transações financeiras. Nesse ponto, nossa diferenciação com os bancos tradicionais ainda permanece com a chegada das fintechs, pois o resultado do cooperativismo financeiro fica na comunidade em que atuamos e é distribuído entre seus sócios, aqui mesmo. Nas fintechs, continuam indo para os seus controladores, no cooperativismo financeiro é para cada cooperado.

AGORA – Desde sempre o senhor tem dito que o cooperativismo tem diferenciais fundamentais em relação aos demais modelos. Que diferenciais seriam estes?

MSR – Nas respostas anteriores, já demonstrei três de ordem de princípios: a responsabilidade genuína e verdadeira com a comunidade; o foco nas pessoas; e a distribuição dos resultados operacionais entre seus sócios. E este segundo esclarece bem: como nossa visão enquanto cooperativa financeira não busca o lucro, nós podemos nos dedicar com verdade e transparência em buscar as melhores taxas, os melhores serviços e melhores produtos que de fato irão suprir as necessidades dos cooperados sem querer explorar seu momento de dificuldade. O cooperado sabe que estamos ali para fazer o melhor, juntos. Pois, o desenvolvimento dele será o desenvolvimento da cooperativa e de todos. É por isso que o próprio Banco Central tem incentivado o crescimento das cooperativas no mercado, pelo compromisso real com cada pessoa, empreendimento e a comunidade na qual estamos inseridos. Estudos indicam que tarifas nas cooperativas são de 20 a 30% mais baratas que nos Bancos tradicionais. Aplicações em cooperativas também são bem superiores às semelhantes nos bancos tradicionais. É comparar.

AGORA – E, por fim, o que o senhor diria aos milhares de empreendedores potiguares que lutam neste momento para sobreviver aos efeitos econômicos do coronavírus?

MSR – Agora ficou até mais fácil. A gente que tem muita experiência dos cabelos já brancos, de muitas crises já vivenciadas, que já empreendemos em muitos esforços e sonhos, sim, nós temos a convicção sempre na esperança de dias melhores e certeza clarividente que os desafios são e serão superados. Desde o início repeti: “falido se recupera, falecido não”. Então, se chegamos até aqui e estamos vivos, ainda há muito para fazermos. Eu tenho acreditado muito no desenvolvimento do nosso Estado, da nossa cidade. Primeiramente, mais importante do que buscar crédito é buscar as ferramentas, os serviços, as alianças, os parceiros ideais, para diminuir custos e buscar as oportunidades de sobreviver a este momento difícil. É preciso, antes de mais nada, sobrevivermos, e aí preparar a retomada de maneira enxuta, com os pés no barro, com humildade, mas com muita sede de fazer acontecer. A retomada já bate à porta, e o Sicoob buscará ser o principal parceiro do desenvolvimento local.

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