RIO DE JANEIRO-RJ-O difícil jogo da sobrevivência Esporte Espetacular mostra o impacto da pandemia na vida de trabalhadores que sofrem com a paralisação dos eventos esportivos


O futebol é um esporte, uma paixão, mas também é um mercado. E a pandemia do coronavírus atingiu em cheio os trabalhadores que dependem dos eventos esportivos. O Esporte Espetacular deste domingo mostra as angústias e incertezas de vendedores ambulantes, proprietários de food trucks e stewards (seguranças e orientadores das arenas). Profissionais que estão de braços cruzados e sem perspectivas de trabalho a curto prazo. Uma rotina que atinge, de uma forma geral, o vasto mercado informal da economia brasileira.

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Além dos clubes, muitos brasileiros que vivem informalmente do futebol sofrem nos tempos de coronavírus

Além dos clubes, muitos brasileiros que vivem informalmente do futebol sofrem nos tempos de coronavírus

– Eles não têm toda a rede formal que os empregados com carteira assinada têm no Brasil: proteção do FGTS, seguro-desemprego, não tem nada disso. Então vem a crise e pega eles de frente – disse Marcelo Neri, diretor da Fundação Getúlio Vargas.

João Carlos Santos, o Coco, é o dono da Kombi do Reggae, tradicional ponto de encontro dos torcedores do Bahia. A Kombi, que existe há 35 anos, já foi homenageada até em música por Gilberto Gil.

Coco, de 62 anos, lamenta os prejuízos e sente saudade da agitação dos arredores da Fonte Nova em dias de jogos. Mas, com bom humor, lembra que a saúde vem em primeiro lugar.

– Nós já saímos da garantia, né? E aí quando chega essa idade é perigoso, arriscado, então vamos ser um idoso obediente. Fique dentro de casa – disse Coco, que também é pintor de automóveis – outra atividade que também foi afetada pela pandemia.

Alexandre Mehmeri, 40 anos, também trabalha nos arredores da Fonte Nova. Ele tem dois food trucks e lembra que o momento é duplamente cruel pois também perdeu o faturamento de outros eventos que realizava fora do futebol.

Alexandre tem dois food trucks e trabalha nos arredores do estádio — Foto: Arquivo PessoalAlexandre tem dois food trucks e trabalha nos arredores do estádio — Foto: Arquivo Pessoal

Alexandre tem dois food trucks e trabalha nos arredores do estádio — Foto: Arquivo Pessoal

– Com o passar do tempo, comecei a receber propostas para fazer eventos corporativos, shows, aniversários, e agora com essa pandemia tudo foi cancelado, os eventos, os jogos. A minha agenda estava cheia para os finais de semana desse mês e do próximo. Foi tudo cancelado – disse Alexandre, que também é torcedor do Bahia.

A incerteza trazida pela pandemia prejudicou também planos pessoais de muitos trabalhadores que dependem do futebol. Leonil Barbosa, 31 anos, é steward (orientador) no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Ele se casaria em julho, mas não sabe se terá condições.

– Eu estava trabalhando de motorista particular, tive que parar também por um tempo porque eu trabalho pra um senhor de idade, ele parou as atividades normais. E estou parado, não tenho renda. Essa situação tem sido bem complicada – lamenta Leonil.

Mas a crise financeira que atinge os anônimos trabalhadores do futebol também desperta a solidariedade. O youtuber rubro-negro Guilherme Pinheiro distribuiu cestas básicas para ambulantes que trabalham no Maracanã.

– Eles sempre estão lá estendendo a mão pra mim, e sempre me servem com muito carinho. É muito legal a relação que eu tenho com eles. Eu não poderia de maneira nenhuma virar as costas pra esse pessoal, e por isso eu tomei essa atitude – afirma Guilherme.

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  • Luciano Muller

    HÁ UMA HORA

    Até q em fim fizeram uma matéria com a realidade , pq antes era só mostrar com famosos estão c exercitando

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