RIO DE JANEIRO RJ-Análise: “carrossel português” do Flamengo apresenta sua melhor versão e coloca Palmeiras na roda


 

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GILVAN DE SOUZA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Holanda que encantou o mundo na Copa de 1974, mesmo perdendo a final para a Alemanha, ficou eternizada na história do futebol como “carrossel holandês”, porque seus jogadores de linha não guardavam posição fixa em campo. É com um conceito parecido na hora de atacar, guardadas as devidas proporções táticas de cada época, que o Flamengo de Jorge Jesus, 45 anos depois, apresentou a sua melhor versão na vitória por 3 a 0 sobre o Palmeiras no Maracanã.

Desde a chegada do técnico português, o time rubro-negro vem ganhando cada vez mais em mobilidade e intensidade. E foi na base da movimentação no último domingo que conseguiu quebrar o sistema de marcação com três volantes do adversário – que tem a melhor defesa do Brasil e ainda não havia sofrido três gols sob o comando do Felipão –, fazendo uma exibição de gala, a sua melhor em toda a temporada.

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Melhores momentos de Flamengo 3 x 0 Palmeiras pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro

Melhores momentos de Flamengo 3 x 0 Palmeiras pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro

Flamengo terminou o jogo com 66% de posse de bola, 11 finalizações e quatro chances claras de gol: aproveitou três.

Peça a um torcedor rubro-negro para desenhar a escalação do Flamengo que provavelmente ele vai posicionar assim: “Diego Alves no gol… Everton Ribeiro na direita, Arrascaeta no meio, Bruno Henrique na esquerda e Gabigol avançado”. O próprio clube divulga o time com esta disposição tática antes dos jogos, mas a verdade é que do meio para a frente é uma “metamorfose ambulante” dura de marcar.

Confira em três exemplos do primeiro tempo:

1) O primeiro gol rubro-negro saiu com as posições “originais”, digamos assim, do seu quarteto ofensivo. Bruno Henrique pressionou na esquerda, obrigou Gustavo Gómes a dar chutão, Arão interceptou para Arrascaeta, que avançou pelo meio e deixou Gabigol na cara de Weverton para marcar;

O "normal": Bruno Henrique na esquerda e Gabigol centralizado — Foto: ReproduçãoO "normal": Bruno Henrique na esquerda e Gabigol centralizado — Foto: Reprodução

O “normal”: Bruno Henrique na esquerda e Gabigol centralizado — Foto: Reprodução

2) Aos 18 minutos, o Flamengo quase ampliou em jogada que começou com a movimentação de Gabigol da direita para o meio, puxando a marcação de Diogo Barbosa e tirando ele de seu setor. Foi onde Everton Ribeiro e Bruno Henrique apareceram e de onde saiu o cruzamento perigoso cortado por Marcos Rocha;

Gabigol sai da direita, volta até o meio de campo e abre espaço puxando a marcação — Foto: ReproduçãoGabigol sai da direita, volta até o meio de campo e abre espaço puxando a marcação — Foto: Reprodução

Gabigol sai da direita, volta até o meio de campo e abre espaço puxando a marcação — Foto: Reprodução

3) No segundo gol, Bruno Henrique aparece no meio, vai para o lado direito, dá um pique e cruza para Arrascaeta, que vem da esquerda para marcar de cabeça, nas costas de Marcos Rocha. O uruguaio contra o Inter na Libertadores havia atuado mais pela direita, mais próximo de Everton Ribeiro;

Inversão: Bruno Henrique na ponta-direita, Arrascaeta na esquerda — Foto: ReproduçãoInversão: Bruno Henrique na ponta-direita, Arrascaeta na esquerda — Foto: Reprodução

Inversão: Bruno Henrique na ponta-direita, Arrascaeta na esquerda — Foto: Reprodução

O Flamengo ataca tentando sempre ter três homens na área, fora as subidas de Arão e Gerson, que também teve boa chance em uma sobra de bola na meia-lua.

A formação mais “ousada”, com só um volante de marcação de ofício, voltou a ser usada por Jesus, que agora não tem mais Cuéllar. E o esquema – que já tinha dado certo na goleada por 6 a 1 sobre o Goiás, mas errado contra Athletico-PR na Copa do Brasil e Emelec na Libertadores – mostrou força com todos voltando para fechar espaços. Saiu ileso do Maracanã e ganhou moral para ser mantido.

Outras observações:

  • Linha alta e bola aérea: a marcação adiantada, como gosta o treinador, também voltou a funcionar e fez com que os dois gols marcados pelo Palmeiras fossem anulados pelo VAR por impedimento. Resta ainda um ajuste nas bolas aéreas. O time com Jesus já sofreu quatro gols dessa forma e se safou de levar o quinto domingo pelo auxílio do árbitro de vídeo;
  • Longe dos holofotes: na visão da torcida, ele pode não aparecer tanto quanto o trio de frente, mas Everton Ribeiro é tão importante quanto Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique para o time. Contra o Palmeiras, o meia “colocou a bola debaixo do braço”, chamou a responsabilidade da criação, e todo ataque passava por seus pés;

Everton Ribeiro "carrega" o piano no Fla — Foto: JOãO CARLOS GOMES/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOEverton Ribeiro "carrega" o piano no Fla — Foto: JOãO CARLOS GOMES/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Everton Ribeiro “carrega” o piano no Fla — Foto: JOãO CARLOS GOMES/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

  • Novo Cuéllar? Agora como volante, Gerson herdou não só a posição em campo, como o número 8 do colombiano contra o Palmeiras. E em um bote de carrinho, desarmando e roubando a bola de Diogo Barbosa na lateral, levantou a torcida, que costumava vibrar assim com o antigo dono da camisa. Tem tudo para virar o novo xodó;
  • Garçom rubro-negro de Seleção: no último jogo antes de se apresentar para Tite, Bruno Henrique não estufou as redes, mas foi decisivo com uma arrancada seguida de assistência na medida para Arrascaeta. Foi o 13º passa para gol do atacante, garçom isolado do time em 2019, seguido por Everton Ribeiro (11) e Arrascaeta (9).

Com a vitória sobre o Palmeiras, o Flamengo reassumiu a liderança do Campeonato Brasileiro com os mesmos 36 pontos do Santos, mas com oito gols a mais de saldo. O Rubro-Negro volta a campo no sábado, quando enfrentará o Avaí às 17h (de Brasília) no Mané Garrincha, pela penúltima rodada do turno. Os jogadores ganharam folga nesta segunda-feira e se reapresentam na tarde de terça, no Ninho do Urubu.



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