RECIFE-PE-Governo de PE envia 50 amostras de pescados para universidade no Rio de Janeiro analisar contaminação por óleo


 

 

00:00/04:27

 

Amostras de pescados coletadas em áreas de desastre ambiental com óleo são analisadas

Amostras de pescados coletadas em áreas de desastre ambiental com óleo são analisadas

O governo de Pernambuco enviou, nesta segunda-feira (11), para a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) as 50 primeiras amostras de pescados coletadas em áreas do estado atingidas pelo desastre ambiental. A instituição tem um laboratório certificado que presta serviços à Petrobras em casos de contaminação por petróleo (veja vídeo acima).

O anúncio do governo pernambucano foi feito horas depois que o Ministério da Agricultura informou que os primeiros resultados de exames em pescados mostraram que o “produto está próprio para o consumo humano”.

Ao todo, segundo o governo, serão coletadas 150 amostras. As 100 restantes ainda deverão ser retiradas de 12 localidades pesqueiras atingidas pelo derramamento de óleo e enviadas ao Rio de Janeiro.

A ação é realizada em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que faz a coleta dos pescados por meio de ações desenvolvidas por alunos do Departamento de Engenharia de Pesca e extensionistas do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).

Na sexta-feira (8), o governo estadual disse que as praias afetadas pelo óleo não representam perigo aos banhistas.

Óleo foi achado em Goiana, no Litoral Norte de Pernambuco — Foto: Reprodução/WhatsAppÓleo foi achado em Goiana, no Litoral Norte de Pernambuco — Foto: Reprodução/WhatsApp

Óleo foi achado em Goiana, no Litoral Norte de Pernambuco — Foto: Reprodução/WhatsApp

Com a análise, segundo o governo, será possível afirmar se os pescados estão livres de óleo e, assim, liberados para o consumo da população ou, caso haja resíduos da substância, qual a intensidade da contaminação.

O foco da ação é a pesca artesanal. Segundo o governo estadual, essa atividade não foi contemplada pelas fiscalizações já realizadas pelo governo federal.

A União afirmou que foram encontrados níveis baixos de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA) — indicadores para contaminação por derivados de petróleo — em peixes e lagostas avaliados.

A previsão é que os testes feitos pela PUC-RJ tenham os primeiros resultados divulgados em dez dias. Entre as espécies coletadas estão moluscos (ostra, marisco e sururu), peixes (budião, saramunete, sapuruna, tainha, xaréu, manjuba, agulha, camurim, vermelho, pampo, bonito, dourado, bagre, raias e cações) e crustáceos (lagosta, camarão, caranguejo, guaiamum e siri).

As coletas serão realizadas no estuário do Rio Capibaribe, no Recife, e nas cidades de ItapissumaItamaracáIgarassu, GoianaPaulistaCabo de Santo AgostinhoRio FormosoTamandaréIpojuca São José da Coroa Grande.

Um trabalho de monitoramento dos pescados no litoral de Pernambuco foi iniciado e segue por tempo indeterminado, já que a contaminação por hidrocarbonetos, se ocorrer, tende a deixar vestígios por muito tempo.

Para isso, o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) começou o processo de certificação de seu laboratório para análise de contaminação por hidrocarbonetos.

Colônia de Pescadores Z-1, do Pina, fica na Zona Sul do Recife — Foto: Reprodução/TV GloboColônia de Pescadores Z-1, do Pina, fica na Zona Sul do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Colônia de Pescadores Z-1, do Pina, fica na Zona Sul do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Dificuldades

Os resultados dos testes divulgados pelo governo federal não mencionam as espécies analisadas e não citam, por exemplo, análises em mariscos, o que frustrou pescadores artesanais em Pernambuco. Segundo a marisqueira Maria Betânia Santos, moradora de Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife, a situação está difícil.

“Não estamos vendendo nada, nada. A situação ficou precária. Quanto mais rápido sair [o resultado dos testes], para a gente, vai ser melhor. Enquanto demora, para pagar as contas está difícil. A gente tem que trabalhar em outras coisas, fazer bico”, declarou.

O presidente da Colônia de Pescadores Z-1, do Pina, Augusto de Lima Guimarães, pediu rapidez na análise do pescado artesanal, que é vendido nas peixarias e mercados públicos.

“Com essa liberação [do governo federal], os grandes frigoríficos vão poder exportar, ter produtos de estoque e vender, mas o pescador não vai conseguir”, afirmou.

 

 

Fuzileiros navais começam a trabalhar na limpeza de manchas de óleo em Sirinhaém

Fuzileiros navais começam a trabalhar na limpeza de manchas de óleo em Sirinhaém

Fuzileiros navais

Também nesta segunda-feira (11), fuzileiros navais iniciaram um trabalho de limpeza dos locais atingidos pelo óleo no litoral pernambucano. Ao todo, 700 militares que desembarcaram no Porto de Suape no domingo (10) começaram, também, a identificar pessoas que foram contaminadas pela substância e não foram notificadas pelo sistema estadual de saúde (veja vídeo acima).

O trabalho teve início em Sirinhaém, no Litoral Sul de Pernambuco. Além do apoio aos moradores do local, os militares também estão atuando na limpeza dos locais atingidos pela substância.

Seis mergulhadores recolheram 25 quilos de resíduos oleosos na região do Rio Persinunga, entre Alagoas e Pernambuco, segundo a Marinha.



Comentários com Facebook




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.