GUAMARÉ RN-“Esse cenário é um dos piores possíveis para a indústria”


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Repórter

O atual cenário econômico brasileiro não é dos melhores e os reflexos na produção industrial são ruins. Com o consumidor afetado pelos aumentos de impostos e taxas neste início de ano, com poder de compra menor, as empresas recuam e produzem em escalas reduzidas. Com margem de lucro apertada e muito material em estoque, o cenário para uma crise está montado. No Rio Grande do Norte, o ano de 2015, segundo o presidente da Federação das Indústrias (Fiern), Amaro Sales, será difícil e o empresariado terá que trabalhar ainda mais para não demitir ou amargar resultados negativos.

A luz no fim do túnel, porém, existe e está nas mãos do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa. Ao longo deste ano, os principais programas de incentivo à instalação e permanência de indústrias no Rio Grande do Norte, o Proadi e o Progás, vencem seus períodos de vigência e precisam ser renovados. A Fiern deposita sua confiança nos atuais administradores estaduais para que revisem leis e ampliem o volume de concessão de renúncia fiscal aos produtores aqui instalados. Além disso, requerem uma ampliação no valor de investimentos em melhorias logísticas para que o estado se torne atraente para outras empresas e que seja formatada uma política empresarial.

Alex RégisPresidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Amaro Sales fala sobre o atual cenário econômico e as implicações para o setor no estadoPresidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Amaro Sales fala sobre o atual cenário econômico e as implicações para o setor no estado

Para a Indústria do Rio Grande do Norte, quais serão os reflexos imediatos dos aumentos de impostos e tarifas que marcam esse início de 2015?
É um cenário terrível, de incertezas, que foi criado nesse início de ano. O Governo (Federal) anunciou um pacotaço de medidas que eu diria que são recessivas no que se possa imaginar. Porque, existe o aumento da carga tributária, aumento dos impostos. Houve o aumento dos combustíveis, que culminou no aumento dos fretes. Aumente o frete, aumenta o valor do produto final. Isso em matéria-prima ou produto acabado. Energia elétrica teve aumento de 30%. Imagine que esse cenário é um dos piores possíveis para a Indústria sobreviver nesse momento. Aumentou taxa de juros e diminuiu a oferta de crédito. Num momento de crise, devem-se criar medidas que possam incentivar a produção. Na hora em que se tem a produção na Indústria, se desencadeia uma série de crescimentos que poderão chegar ao pagamento de impostos, aumento na arrecadação e não fazer medidas recessivas.

Como seria possível incentivar a produção industrial diante de um cenário tão adverso?

O Governo (Federal) tem um impasse. Para o consumidor, ele aumentou a taxa de juros para que o consumidor não consumisse. Se o consumidor não consome, como vai ter aumento de crescimento econômico? Isso não existe. A Indústria precisa produzir, precisa ter um amplo incentivo à produção. E só se incentiva a produção num cenário em que se possa desonerar alguns setores. Imagine aumentar 30% na conta da energia elétrica… Tem Indústrias que a conta de energia elétrica representa o terceiro número dentre as maiores despesas. Vem a matéria-prima, a mão de obra e a conta de energia elétrica. Então, o Governo (Federal) precisa incentivar essa produção para que sejam gerados mais postos de trabalho, mais impostos, mais arrecadação e mais crescimento econômico.

Para o Rio Grande do Norte, que é um estado economicamente frágil, como fica essa situação?

Nos últimos 20 anos, o Rio Grande do Norte vem sofrendo reveses constantes. Eu sempre tenho dito que a Indústria potiguar está morrendo devagarzinho, bem devagarzinho. Mas, o atual governador do Estado tem dado sinais de incentivo para novas empresas que irão de estabelecer e fortalecer a Indústria que já existe no Rio Grande do Norte. Ele tem nos repassado essa informação e isso dá um crédito para ele, que está chegando, colocando seu pacote de incentivos para que a produção possa crescer e, claro, revigorar a Indústria no Rio Grande do Norte.

A questão da inflação e da alta do dólar, do seu ponto de vista, afugenta empresas interessadas em se instalar no Rio Grande do Norte em decorrência do alto custo?

Essa questão da economia nacional, ela vem como reflexo da economia mundial. Uma crise na China, que poderá diminuir o crescimento desse país, se ela existir, se existem ações que possam ter reflexo no Brasil, o dólar aumenta aqui. Com essa febre da inflação, com o dólar chegando aos R$ 2,90 terá uma grande influência na inflação. Quando se chega na inflação, arma-se um circo para que tenha proteção nas empresas. Então, a parte financeira fica comprometida.

Em relação aos destaques da produção industrial potiguar, ainda se resumem ao minério, ao têxtil?
A gente imagina que possam ser tomadas medidas de incentivo à utilização do gás, da própria energia gerada no Rio Grande do Norte, no Proadi, incentivar um maior número de empresas a adentrar nesse programa, o incentivo ao crescimento industrial do estado. O Rio Grande do Norte é o único estado brasileiro que não tem uma política industrial. Inclusive, o governador Robinson Faria, em conversa que tivemos semana passada, assumimos que iremos confeccionar essa política industrial para que a gente possa ter um melhor desempenho no Rio Grande do Norte. Eu diria que esse é o momento de expectativa ao que vai acontecer, ao crescimento da indústria que vai acontecer.

Quais foram os pleitos apresentados ao governador nesse encontro?

A gente tem, nesses 40 e poucos dias de novo governo, o governador está dentro de um cenário procurando compreender as dificuldades que vem recebendo, a falta da capacidade de investimentos do Estado. O Estado vai receber uma injeção de recursos com o empréstimo de R$ 850 milhões, que é um número muito razoável para uma movimentação na economia. Porque serão geradas obras de infraestrutura, investimentos dentro da cidade que movimentarão a economia do estado. Eu acredito que o governador, com essas medidas, poderá sanear parte das dificuldades que temos na Indústria do Rio Grande do Norte. O pleito que a Federação das Indústrias vem fazendo ao governador do Rio Grande do Norte nesse momento, nós temos algumas ações que seriam muito práticas.

Quais seriam elas?

Seria uma adaptação do Proadi. Um Proadi que já existe há vinte anos e que poderia ser revisado. A gente pede que seja verificada com mais atenção a questão do Progás, que é o único programa de incentivos às Indústrias que existe no Brasil e é no Rio Grande do Norte. Isso pode ser uma ferramenta de atração de novas empresas. O Mais RN, que é um programa feito com a Federação das Indústrias em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que algumas empresas custearam parte desse projeto, que foi feito um diagnóstico empresarial do Rio Grande do Norte, com quase 400 projetos a serem desenvolvidos. O Governo do Estado me garantiu que irá contribuir para esse programa, que irá pensar um Rio Grande do Norte diferente, com mais Educação, mais investimentos, mais qualificação profissional e melhor infraestrutura. É um programa que a Fiern e o Governo do Estado visam desenvolver.

O senhor acredita que o atual Governo do Estado irá dilatar o prazo de vigência do Proadi e, além disso, aumentar a renúncia dos atuais 75% para 95%, conforme deseja a Indústria local?

Isso será analisado pela equipe técnica do Governo do Estado. O governador nos garantiu que sua equipe vai estar analisando isso e os técnicos da Federação estão à disposição para que possam contribuir. Claro que, também, essa mudança depende da Assembleia Legislativa. Nós faremos uma visita ao presidente da Assembleia Legislativa para que ele possa compreender que as mudanças são importantes para a Indústria do estado e essa questão dos projetos que o Governo do Estado tem, das melhorias do entorno do aeroporto, das ZPEs, a destinação de recursos para investimento no estado.

E o imbróglio envolvendo a Potigás e a Petrobras, que reflete diretamente no Progás, como está sendo tratado?

O governador está em negociações com a Petrobras para que seja resolvido esse problema.

O senhor acredita, então, que até o mês de abril, quando o atual contrato vencerá, tudo estará resolvido?

É importante que esteja já resolvido.



Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: [email protected]

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