FOTOS IMAGENS- travesti amarrada dentro de porta malas e sendo agredida


A Guarda Municipal de Teresina (GCM) informou que vai apurar a conduta de agentes que atenderam um caso de agressão contra uma travesti suspeita de roubo no bairro São Joaquim, Zona Norte de Teresina. As imagens das agressões foram gravadas na manhã de segunda-feira (19) e circulam nas redes sociais.

Vários vídeos da suspeita, que não foi identificada, foram gravados e divulgados nas redes sociais. Em um deles, ela conversa com um homem e afirma ter participado de um roubo.

Outro vídeo mostra a suspeita amarrada no porta-malas de um carro enquanto é agredida por pelo menos dois homens que usam um pedaço de madeira. Crianças presenciam a cena.

Vídeo mostra travesti sendo agredida diante de Guardas Municipais de Teresina — Foto: Reprodução

Vídeo mostra travesti sendo agredida diante de Guardas Municipais de Teresina — Foto: Reprodução

Algumas mulheres pedem aos homens para que eles parem de agredi-la, enquanto dois homens batem nela com um pedaço de madeira e pedem informações sobre um botijão de gás e um colar, que teriam sido roubados por ela.

Já em outras imagens, guardas municipais presenciam o momento em que um homem conduz a suspeita com os pés amarrados e dá uma rasteira nela, que cai deitada.

Nem os homens suspeitos de agressão e nem a suspeita do roubo tiveram seus nomes informados até o momento. A vítima das agressões e um dos suspeitos foram conduzidos à Central de Flagrantes. O G1 tentou, mas não conseguiu informações com a Polícia Civil até o momento.

Associação pede investigação

 

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) comentou o caso nas redes sociais. O grupo pediu providências quanto ao caso.

À vítima foi amarrada e espancada. Jogada no chão e a guarda municipal não tomou nenhuma atitude para impedir a tortura.

Exigimos uma resposta imediata para identificar e responsabilizar os envolvidos nessa barbárie. É inadmissível a espetacularização da violência contra pessoas trans de forma pública e aceita de forma naturalizada por quem assiste passivamente esse horror!

Que ela seja levada a justiça pelo seu erro, mas que tenha suporte diante de tamanha violência. E que esses torturadores que aparecem no vídeo são denunciados, processados ​​e paguem pelo que fizeram. Tortura é crime! Não há justiça com as próprias mãos. Também é importante que a guarnição do GCM que atendeu a ocorrência seja responsabilizada pela transfobia por omissão na forma com que conduziu o caso no local, ao ver a moça amarrada e jogada no chão e não agiu para bloquear e encerrar ali o tratamento desumano a que fé submetida. Que sejam cassados ​​e demitidos!

Já enviamos informações para órgãos responsáveis e estamos acompanhando o caso.

Guarda Municipal diz que vai apurar o caso

 

Em nota (leia a íntegra ao fim da reportagem), a Guarda Municipal informou que, quando os agentes chegaram ao local, as agressões já não estavam acontecendo. Contudo, o vídeo mostra que os guardas presenciaram as agressões.

Por meio de nota, a GCM informou ainda que a suspeita e o agressor foram conduzidos à Central de Flagrantes de Teresina e que o comando da instituição irá avaliar se houve falhas na conduta de guardas que estiveram no local.

Confira na íntegra a nota da GCM

“A Guarda Civil Municipal de Teresina (GCM) esclarece que atendeu a uma ocorrência no residencial Parque Brasil III, zona Norte de Teresina, nesta segunda-feira (19). Ao chegar ao local, a equipe encontrou com uma travesti amarrada, suspeita de furtar apartamentos na região. Após ouvir os envolvidos, os membros da corporação que acompanhavam a ocorrência orientaram que o suposto agressor a desamarrasse. Na sequência, a suspeita foi algemada e, juntamente, com o suposto agressor, foram conduzidos à Central de Flagrantes de Teresina para apuração do caso. Sobre um vídeo em que a travesti aparece sendo espancada no porta-malas de um carro, a GCM não presenciou o fato, uma vez que chegou ao local posteriormente. Em hipótese alguma, a Guarda Civil Municipal de Teresina defende que seja feita Justiça com as próprias mãos. Por fim, o comando da GCM vai avaliar se houve falhas no procedimento.”

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