A QUEDA DA DEMOCRACIA


Nos últimos dias a imprensa internacional noticiou o fato da saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit. O brasileiro não poderia deixar de comentar aquilo que não entende, já é parte da cultura de nosso povo, infelizmente. E qual foi o principal ponto abordado pelos nossos comentaristas? A democracia.

Nossa política nacional foi marcada constantemente por essa palavra nos últimos meses. Muitas pessoas saíram de suas casas para as ruas, brigando por um país melhor, enquanto outros diziam que isso feria o ‘estado democrático’. Mas que diabos é a democracia? Será que ela é um modelo infalível a ser seguido?

Para isso recorramos um pouco à filosofia. O filósofo Friedrich Nietzsche, no seu livro “O Crepúsculo dos Ídolos”, promete acertar com golpes de martelo todas as muletas metafísicas que transformam-se em ídolos perante os homens. O mais famoso ataque de Nietzsche é à religião pois, para ele, viver a vida almejando um plano transcendental, um paraíso, nos faz viver de maneira incompleta aqui. Da mesma forma o ideólogo utópico, este acredita em uma sociedade sem classes, onde todos são iguais, e os homens são todos bons. Para Nietzsche, tanto o homem religioso e o homem ideólogo apoiam-se em muletas, não vivem o mundo em sua realidade, criando assim o Übermensch – o Super-Homem, obra prima do filósofo. Este super-homem é marcado pelo conceito de “Amor Fati”, o amor do mundo por aquilo que ele é, sem anexos, sem nada a acrescentar.

Diante desta visão, Nietzsche derruba, principalmente, o mito criado em torno da democracia. A democracia, em si mesma, é a valorização do fraco e a supressão do forte. As pessoas não nascem iguais e não desenvolvem-se de maneira igual, umas destacam-se por grande inteligência e outras por grande aptidão física. Algumas pessoas compreendem matemática, outras filosofia. Tudo isso é causado, na filosofia Nietzschiana, pela Vontade de Potência. Essa vontade é a força propulsora que habita os seres vivos, e ela pode varia em forças ativas forças reativas. Explicando de maneira rápida, as forças ativas são responsáveis por nossa vontade de realizações, pelo “gás” que nos estimula a conquistar. Enquanto as forças reativas são responsáveis pela retração e marcadas por opor-se às forças ativas.

Em nossa vida as forças variam conforme nossos momentos. Ao acordar, por exemplo, é comum que estejamos com um alto índice de forças reativas. Estamos pouco sociáveis, dispostos a continuar dormindo e com expressão de “poucos amigos”. Durante nosso dia, exercendo nossa profissão ou aquilo que mais gostamos, alcançamos um ápice de forças ativas e podemos concluir que, nesses momentos, nossa Vontade de Potência está em alta.

Não é necessário que sejamos especialistas para identificar algumas pessoas que vivem de maneira ativa ou reativa. Comumente identificamos aqueles que desenvolvem uma grande personalidade em vida, enquanto outros contentam-se com a insignificância do ser. O homem, por natureza, tende a levar dois tipos de vida: solitária ou comunitária. O homem ativo raramente consegue unir-se, sua força expoente impede-o de seguir o mesmo rumo, naturalmente é um desbravador. Já o homem reativo é amante de sindicatos, de conjuntos, de grupos, que possam aumentar o seu ego e, pior que isso, derrubar o homem ativo.

Cientes dessa distinção que existe entre as pessoas, sabemos que algumas realmente tem mais vontade que outras. Essa vontade faz com que algumas destaquem-se mais, de maneira extraordinária. Se o homem que dedica sua vida a si, sem prejudicar outros, dedicando-se a sua especialização, comunicação, sociabilidade, podemos facilmente classificá-lo como um homem que vale por dez. Para elucidar, vamos comparar duas figuras: Schumacher e Pelé. Um é o notório piloto de Fórmula Um, outro o rei do futebol. Ambos são, respectivamente, homens que valem por dez em suas profissões. Porém, se colocarmos os dois para decidir sobre algum tema da profissão do outro? Pelé é tão piloto de Fórmula Um quanto Schumacher é jogador, ou seja, não houve uma vida inteira a dedicar-se para aprimorar-se na direção, não perdeu madrugadas procurando entender os “atalhos” das pistas, enfim, o Pelé, neste esporte, valeria nota zero – justamente por não dominá-lo. Ora, se considerarmos os dois como voto um, para decidir sobre algum assunto que tange o esporte automobilístico, estaremos rebaixando Schumacher e exaltando o Pelé. Assim, acontece a supressão do que é forte e a elevação do que é fraco.

E a quem interessa isso? O homem reativo tende a unir-se em grupos para realizar seus ideais, sabendo que os ativos podem “impedir” que isso aconteça, unem-se os fracos, apelam aos fracos, e ganham a votação aqueles que possuem o maior rebanho. A democracia é a opção da maioria, mas sabemos que a maioria está contente com a mediocridade.

Se você acredita que a democracia é um sistema infalível de igualdade, acredite, estão te igualando a um boi. Hora ou outra você vai pra brasa quando não precisarem mais de você.

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Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: [email protected]

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