MOSSORÓ RN-É o fim da energia vinda de combustíveis fósseis?


 

É o fim da energia vinda de combustíveis fósseis?

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A Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP27, realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, até esta sexta-feira, dia 18, traz debates sobre adaptação climática, como diminuir a emissão de gases do efeito estufa, buscando alternativas de cooperação e financiamento visando para conter o aquecimento global.

Desde a revolução industrial, as fontes de energia fósseis foram cada vez mais utilizadas. Mas os efeitos de devastação começam a ser sentidos e podem tornar o planeta inabitável se o ser humano não encontrar alternativas que promovam um desenvolvimento econômico aliado à sustentabilidade.

Hoje, o carvão é a maior fonte de geração de eletricidade a nível global, mas também a maior fonte de emissões de CO2 de energia. Enquanto isso, os governos que representam mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo divulgaram um plano diretor para acelerar a descarbonização de cinco grandes setores com 25 ações colaborativas a serem realizadas pela COP28, entre elas descarbonizar energia e acelerar a mudança para a agricultura sustentável.

Energias no tempo

 

Enquanto nos tempos pré-históricos, a lenha era fonte de energia para afastar temperaturas extremas e preparar alimentos, a partir do contexto que culminou na Revolução Industrial, a exploração por outras fontes de energia foi impulsionada.

A novas tecnologias e foco em maior produção foram possíveis graças aos novos combustíveis, com vasta utilização do carvão mineral entre os séculos XVIII e XIX, tendo em vista que os primeiros motores eram movidos a vapor. No século XX, os combustíveis fósseis, principalmente o petróleo, passaram a ser fonte de energia e produção de querosene e posteriormente de gasolina. Essa matriz energética apenas ganhou mais espaço no mercado com a difusão da exploração de campos e a perfuração de poços de petróleo.

A partir da Segunda Guerra Mundial, a tendência de uso passou a ser do diesel, também derivado do petróleo. No entanto, com as duas crises do petróleo na década de 70, quando as pessoas precisavam fazer filas gigantes para abastecer, o olhar global se voltou para a busca por novas fontes de energia, assim como o robusto crescimento populacional.

Desde então, o que mudou?

 

Nas últimas décadas, o aquecimento global e aumento da ocorrência de desastres e fenômenos naturais trazem maior preocupação sobre os impactos causados pela emissão de gases poluentes. Mesmo com adoção de novas tecnologias e aumento da geração de energia limpa, ainda há muito em avançar.

De acordo com relatório “Principais Estatísticas Mundiais de Energia”, de 2021, elaborado pela Agência Internacional de Energia, o petróleo era responsável por 46,2% da oferta energética mundial em 1973. Em 2019, a participação caiu para 30,9%. Os biocombustíveis passaram de 10,2% para 9,4%, enquanto a fonte hidrelétrica subiu de 1,8% para 2,5% e a nuclear de 0,9% para 5%. O carvão também apresentou alta, de 24,7% para 26,8%. Entre os maiores produtores de petróleo, estão Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita, Canadá, Iraque, China, Emirados Árabes Unidos e Brasil, segundo informações revisadas em 2020 do relatório.

No Brasil, o cenário é diferenciado. Apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo, o país não figura entre os grandes produtores de energia nuclear, carvão ou gás natural. No entanto, perdia apenas da China quanto à produção de energia elétrica. Também ficava entre os seis maiores produtores de energia eólica. Para energia solar, também não entrava no ranking Top 10.

Dados do Balanço Energético Nacional de 2022, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (Epe), corroboram com essa visão. Mesmo que o consumo de energia de fontes não renováveis seja ainda maior do que o de renováveis, os brasileiros utilizam mais fontes renováveis que no resto do mundo. “Somando lenha e carvão vegetal, hidráulica, derivados de cana e outras renováveis, nossas renováveis totalizam 44,8%, quase metade da nossa matriz energética”, diz o Instituto.

A instalação de matrizes hidrelétricas é uma referência em geração de energia limpa. No entanto, com a diversificação de matrizes nos últimos anos, ela vem perdendo espaço para outras fontes de energia limpa, como a eólica e a solar fotovoltaica.

Segundo dados deste ano da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a energia hídrica representa 52,6% da potência instalada brasileira para geração de energia elétrica, seguida da energia eólica, com 10,9% do total, da solar fotovoltaica, com 10,2%, gás natural com 8%, biomassa e biogás com 7,9%. O petróleo e outros combustíveis fósseis representam apenas 4,3% e carvão mineral 1,7%. A expectativa do Ministério de Minas e Energia é de que a energia solar ultrapasse a eólica neste ano no país.

Segundo Robert Fischer, um dos fundadores da Topsun Energia Solar, por ser um mercado novo, o crescimento continua vertiginoso, mas o objetivo continua sendo popularizar cada vez mais a tecnologia para geração de energia limpa, como os sistemas fotovoltaicos.

“Isso é necessário para que mais pessoas e empresas possam usufruir dessa energia limpa, e com isso ajudando a não sobrecarregar nosso sistema atual de transmissão de energia pelas concessionárias e o mais importante, deixando de agredir o planeta utilizando uma fonte de energia sustentável”, avalia.

O Brasil é referência em geração de energia limpa e possui alta capacidade para ajudar no processo de transição para um mundo mais sustentável. A nível local, a adoção de estratégias em casa ou em empreendimentos comerciais pode contribuir, mesmo que de forma restrita, para que cada um faça sua parte nesse cenário.

Além de diminuir a emissão de gases poluentes, a popularização da geração distribuída auxilia para que a pressão sobre o sistema elétrico de geração hídrica diminua – tendo em vista que novos problemas com estiagens podem ocorrer. Além disso, a instalação de painéis solares pode diminuir em até 95% os custos da conta de energia.

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TopSun Energia Solar
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