GUAMARÉ RN-“Quem trabalha no turismo tem que gostar de gente”


163004Por Anna Ruth Dantas

Quando questionado o que encanta no trabalho do turismo, Gilberto Sabino é direto: o trato com as pessoas, com o sonho de cada um dos viajantes. Sabino constrói uma longa trajetória no setor do turismo. Ingressou na extinta Varig como office boy, chegou ao cargo de gerente e atualmente  desempenha a função de gerente regional da TAP para todo Nordeste.

Ao falar sobre a companhia, Gilberto Sabino se mostra empolgado e destaca a prioridade que a TAP dá para o Nordeste, onde têm vôos diretos para quatro capitais (Natal, Fortaleza, Salvador e Recife).

Ana SilvaGilberto Sabino atua na Gerência Regional da TAP para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte desde 2009Gilberto Sabino atua na Gerência Regional da TAP para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte desde 2009

“Em 2014 a TAP transportou nas linhas do Brasil aproximadamente 1,6 milhões de passageiros, onde cerca de 30% refere-se ao Nordeste com uma taxa de ocupação de 80%”, comenta o Gilberto Sabino, realçando que das 12 entradas da companhia no país, quatro estão na região.

O empresário não acredita que a crise econômica trará grandes efeitos para o turismo, pela própria prioridade que as pessoas destinam ao lazer. E observa que condição do câmbio, onde o dólar se mostra em paridade com o Euro, favorece a escolha pela Europa.

São números e fatores racionais que contornam o sonho alimentado pelas pessoas no viajar. “O que me encanta mais (no trabalho) é tratar com as pessoas. A gente trata de forma muito abrangente as pessoas. A gente vende sonhos. Quem trabalha com turismo, quem trabalha na aviação tem sonhos. As pessoas se preparam para viajar, tem aquele gosto de viajar. Então acho que é uma coisa muito interessante no nosso dia, sempre estamos lidando com gente”, destacou.

Confira o 3 por 4 de Gilberto Sabino:

A que o senhor credita  a sua ascenção profissional, que começou como office boy em uma companhia aérea e hoje está como gerente para o Nordeste de uma companhia internacional?

Determinante foi na época da Varig, lá no Rio Grande do Sul, em 1974, alguns parentes já trabalhavam na companhia. Eu tinha um tio que trabalhava no setor de propaganda. Não havia cargo de direção, mas muitos familiares trabalhavam na mesma empresa. Surgiu oportunidade no setor de reserva como Office boy, eu assumi. No Setor de Reserva virei agente de vendas, aí por uma oportunidade eu fui promovido a promotor de turismo. Aí começa a minha ida para era comercial. No setor de turismo eu passo a ser supervisor, supervisor de vendas e chego a gerente comercial. Na Varig também essa minha posição de gerente comercial era algo diferente porque, normalmente, o gerente comercial vinha de outro Estado. Eu ser gerente comercial no Rio Grande do Sul também foi diferente. Em 1999 a Varig ela se modifica, assumem outros dirigentes e eu fui transferido para Alagoas como gerente geral naquele Estado. E fiquei lá até 2006, quando a Varig encerrou.

O que lhe encanta mais no segmento do turismo, da aviação comercial?

O que me encanta mais é tratar com as pessoas. A gente trata de forma muito abrangente as pessoas. A gente vende sonhos. Quem trabalha com turismo, quem trabalha na aviação tem sonhos. As pessoas se preparam para viajar, tem aquele gosto de viajar. Então acho que é uma coisa muito interessante no nosso dia, sempre estamos lidando com gente. Eu cito sempre que quem trabalha no turismo tem que gostar de gente. Acho que depois que você entra no ramo da aviação, você percebe que há uma tradição familiar nas agências e das companhias de turismo. Veja o exemplo da Flytour, a CVC. Isso no Nordeste também ocorre dessa tradição familiar, são pessoas lidando com gente.

Como se põe a TAP hoje perante o Nordeste?

Graças a Deus entrei na TAP em 2009, vim de Alagoas para Recife, e de cara vi que era uma empresa maravilhosa para se trabalhar, empresa focada no bom atendimento, empresa globalizada hoje. A TAP está presente no Nordeste brasileiro desde abril de 1967 ininterruptamente, onde inicio seus vôos em Recife, logo depois em 1993 passou a voar a partir de Salvador, Fortaleza desde março de 1998 e após um ano, março de 1999, inaugurou Natal. Das 12 entradas que a companhia oferece quatro são nordestinas, essa diversificação tem favorecido a vinda de uma maior quantidade de turistas para o país. O Brasil é um vasto país de diferentes contrastes, conhecido pelas suas praias, pelo samba e, sobretudo pela simpatia do povo brasileiro. Além de mar e praias, o Nordeste disponibiliza uma rede hoteleira de boa qualidade, culinária típica e internacional, festas quase o ano inteiro, artesanato, cultura, muita história e uma infraestrutura turística de qualidade. A diversidade das paisagens dos estados brasileiros permite férias diferentes em cada viagem. Do Nordeste brasileiro para Lisboa, a TAP oferece vôos a partir de Natal (três voos semanais), Fortaleza (vôos diários), Recife (vôos diários), Salvador (seis voos semanais), totalizando 23 frequências semanais. Em 2014 a TAP transportou nas linhas do Brasil aproximadamente 1,6 milhões de passageiros, onde cerca de 30% refere-se ao Nordeste com uma taxa de ocupação de 80%. E para 2015 a tendência no Nordeste está na linha com 2014. Os vôos que ligam o Nordeste a Europa são diários e operados pelas aeronaves Airbus A330, com capacidade para 263 passageiros. São passageiros das mais diversas origens européias, que se valem dos vôos diretos para o Nordeste e das excelentes conexões da TAP em Lisboa, onde os vôos provenientes das várias capitais européias conectam com tempo de trânsito de até 45 minutos. Os europeus que conhecem esta região ficam encantados e sempre retornam, em função das belezas naturais da região e da conhecida hospitalidade do povo nordestino.

A região nordestina ganha atenção especial da TAP?

Se você observar, tem quatro cidades que operam no Nordeste. Olhe a importância que a TAP dá ao Nordeste, que é um destino que recebe bem, destino que, se divulgando lá fora, as pessoas se encantam.  Quem vem para o Nordeste volta sempre. A TAP tem essa preocupação, de divulgação do Nordeste. O que ela (a TAP) pode fazer através de eventos na própria revista de bordo da empresa, ela faz a divulgação do Nordeste com maestria. Apesar da TAP ser uma empresas portuguesa tem uma cara de empresa brasileira, muito de Nordestina.

E a concorrência entre as companhias aéreas  internacionais perante o Nordeste?

Estamos no Nordeste em quatro cidades, de forma muito positiva. A gente prestigia o mercado. E, com certeza, a concorrência fica de olho também. Ela está aí, é uma coisa saudável. Mas nós estamos há mais tempo e já entendemos a linguagem daqui. Se  você observar, a TAP já está há muito tempo aqui e creio que logo, logo virão outras companhias, até já tem. Mas de vôo regular continua sendo apenas a TAP.

As recentes greves promovidas pelos funcionários da TAP fragilizaram a imagem da companhia perante o cliente?

A greve, realmente, tumultua. Mas a TAP foi tão eficiente na questão de atender o passageiro, que o momento de greve, a gente procura agora reconstruir os relacionamentos, reconstruir as imagens que por algum motivo tenham ficado um pouco, não digo frágil, mas perturbado. Foi algo que já passou e não teremos mais esse problema de greve.

O senhor disse, no início da entrevista, que lida com o sonho de viajar. E como avalia essa concorrência de lidar com o sonho de viajar para Europa e para o mercado norte-americano?

Acho que os dois mercados são pujantes. Tem suas importâncias. Mas hoje a gente percebe, até por questão de câmbio e paridade do dólar com o Euro, o cliente procura ir mais para Europa. Claro que esse é um momento de reflexão. Acho que as coisas logo, logo vão melhorar. É importante ter otimismo. Nesse momento que a demanda cai um pouco, lá na frente se recupera, com certeza. Os dois mercados são importantes.

Quais os projetos da TAP para o Nordeste?

Manter essas cidades (Natal, Recife, Fortaleza e Salvador), o movimento lá na frente, esperamos que ele aumente um pouco. Se você observar o Nordeste está muito bem servido de ligações para Europa. Acho que o nordestino é um privilegiado nessa questão.

O senhor acredita que a TAP ainda trará novos vôos para o Nordeste?

Sempre se estuda isso. Sempre estamos observando o mercado.

O fato da TAM ter deflagrado processo para escolha de uma cidade no Nordeste para instalar um hub para Europa, isso sinaliza para o potencial do mercado da região?

Isso sinaliza que o mercado nordestino é importante para o Brasil. Se a TAM está pensando em vir para cá é porque, realmente, aquilo que a TAP já fez no passado, que já vislumbrou como oportunidade de negócio..se eles estão pensando nisso, é porque o Nordeste é importantíssimo para o Brasil.

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Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: [email protected]

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