GUAMARÉ RN-Agente disfarçado passou meses coletando informações de movimentos sociais
Jornal GGN – O agente das Forças Armadas, capitão Willian Pina Botelho, conhecido por “Balta Nunes” quando infiltrado em grupo de manifestantes paulistas, foi descoberto nessa última semana. Além de supostamente ter colaborado na prisão de 21 jovens, antes da manifestação do dia 4 de setembro, o agente disfarçado passou meses coletando informações da frente Povo Sem Medo, que reúne movimentos sociais como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), CUT (Central Única dos Trabalhadores), UNE (União Nacional dos Estudantes), Fora do Eixo, Mídia NINJA, entre outras organizações. Botelho também chegou a assediar e tentar envolvimento emocional com pelo menos cinco militantes. A reportagem é da Mídia Ninja.
da Mídia Ninja
Infiltrado do Exército mirava MTST, Mídia NINJA e outros movimentos sociais
Por NINJA
Capitão das Forças Armadas também atuou em grupos organizados, monitorou atividades políticas e assediou militantes por meses antes de ser descoberto
Na última semana, as redes sociais e a mídia corporativa foram inundadas por matérias desmascarando a infiltração de um agente das Forças Armadas em grupos de manifestantes em São Paulo. Disfarçado de “Balta Nunes”, o capitão Willian Pina Botelho teria passado informações que levaram à prisão de 21 jovens utilizando como justificativa flagrantes forjados, como uma barra de ferro, antes mesmo de começar a manifestação do último dia 4, que levou mais de 100 mil às ruas da capital paulista.
Botelho não se infiltrou somente em grupos de manifestantes que acabavam de se conhecer pelas redes sociais: sob o mesmo disfarce, o agente coletou por meses informações privilegiadas da frente Povo Sem Medo, que hoje reúne alguns dos mais importantes movimentos sociais do país, como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Fora do Eixo e Mídia NINJA, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e UNE (União Nacional dos Estudantes), além de militantes de partidos de esquerda como o PSOL e PCdoB, jornalistas e comunicadores, entre outras organizações sociais.
Botelho abordava diversas mulheres dos movimentos em conversas privadas pelo menos desde abril de 2015, e passou a ter acesso direto a informações do grupo após participar presencialmente do ‘Encontro dos Comunicadores Sem Medo’, realizado em junho deste ano na Casa Fora do Eixo, em São Paulo.
Nas mensagens privadas, fica claro o interesse de Botelho em questões estratégicas dos movimentos sociais e a determinação de conseguí-las através de seu relacionamento íntimo com militantes. No relato de ao menos 5 ativistas da Frente Povo Sem Medo, Botelho se utilizava de insinuações afetivas para se aproximar e obter informações, o que sempre causou estranhamento nas vítimas.
Rotineiramente perguntava sobre ações do MTST, encontros e atividades fechadas de redes como os Jornalistas Livres, a relação dos movimentos com o Governo Federal da Presidenta Dilma e chegou a saudar a atuação do Levante Popular da Juventude. Em certa mensagem a uma militante, afirmou: “É meu sonho conhecer a Florestan Fernandes. Vamos lá? Eu dirijo”, referindo-se à tradicional escola de formação do MST em Guararema, a 70km da capital paulista.
Foi dessa forma que teve acesso à convocatória do Encontro Comunicadores Sem Medo, uma imersão de jornalistas, designers, fotógrafos e midiativistas que reuniu em torno de 70 pessoas entre os dias 4 e 5 de junho. Segundo testemunhas, Balta teria participado dos dois dias do encontro e dormido na Casa Fora do Eixo. O capitão parece ser um mestre em fugir de registros fotográficos que possam comprometê-lo: surpreendentemente, ele aparece em apenas uma foto do evento, de costas, mesmo com centenas de imagens registradas ao longo do encontro.
“Você é uma feminista que acho bonita”
Passando-se por recém-chegado nos movimentos sociais, as primeiras interações do militar alegavam desentendimento das pautas e vontade de se somar à luta, como relata uma das envolvidas: “Ele costumava falar comigo perguntando o que eu achava sobre os acontecimentos políticos, assim como passou a acompanhar atividades que eu postava no meu facebook”.
Em seguida, o infiltrado dava início às investidas, assédios e tentativas de envolvimento emocional e afetivo com as mulheres, como ilustram as imagens a seguir, capturadas de conversas do capitão com cinco ativistas diferentes e embaralhadas por questões de segurança.
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