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‘Roubaram a vida dela’, diz pai de jovem atingida por ladrões em fuga

Dois assaltantes bateram contra a moto da vítima em Tangará da Serra (MT).
Lorrayne Chieregatto,19, chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu.

Do G1 MT

Jovem morta em acidente em MT (Foto: Reprodução/TVCA)

O pai da jovem Lorrayne Monteiro Chieregatto, 19, morta na última quinta-feira (22) após um acidente entre duas motocicletas causado por assaltantes durante fuga policial, falou ao G1 sobre o caso. Marcos Antônio Chieregatto, motorista de 49 anos, relatou o que sentiu ao ouvir de Fernando de Souza, 22, piloto da moto que atingiu a filha, que não teve culpa no acidente, ocorrido emTangará da Serra, a 242 km de Cuiabá.

“Ele tinha acabado de cometer um assalto, estava com uma arma pendurada na cintura, acima do limite de velocidade e na contramão. Mesmo assim o bandido conseguiu me encarar e dizer que estava sendo obrigado pelo comparsa a pilotar daquela maneira. Espero que fiquem presos”, disse Marcos.

Na noite da última quarta-feira (21), Lorrayne e a irmã, 24, que pilotava a motocicleta, foram atingidas por uma outra moto na qual estavam dois assaltantes que fugiam da polícia. Com o impacto, Lorrayne foi arremessada e o capacete saiu da cabeça dela. Ela foi socorrida e morreu em decorrência de um traumatismo craniano.

Um dos suspeitos, de 22 anos, foi detido pela Polícia Militar logo depois do acidente, levado para o hospital e preso em seguida. Já o outro, de 19 anos, conseguiu fugir, mas acabou sendo preso por policiais civis momentos depois. Os dois foram autuados em flagrante por roubo e homicídio doloso, além de tentativa de homicídio em relação à jovem de 25 anos que sobreviveu.

De acordo com o pai da jovem, enquanto ele tentava conseguir a realização de uma cirurgia e um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para salvar a vida de Lorrayne, o suspeito era atendido no mesmo hospital. Marcos Antônio explica que, como o assaltante não teve ferimentos graves durante o acidente, ele foi atendido e recebeu alta médica com rapidez, mas que a filha dele não teve a mesma sorte.

“A minha filha parecia já estar morta no momento em que eu a vi. O SUS não tinha vaga para ela na UTI, mas mesmo não tendo dinheiro, nós conseguimos arrumar R$ 53 mil, às 2h30, para salvá-la. Nós não conseguimos”, disse.

Marcos Antônio relata que, naquela noite, por diversas vezes precisou passar em frente ao local onde o suspeito estava recebendo atendimento. Nessas ocasiões ele diz que sentia vontade de agredir o suspeito, mas que era impedido pelos policiais.

“Enquanto minha filha estava morrendo, ele [Fernando] era protegido por cinco policiais. Me diziam que seria pior para mim, que eu poderia ser processado. Mas eu só pensava em fazer ele pagar. Não acredito na Justiça, nem que eles possam vir a ser punidos pelo que fizeram”, conta.

Sonhos interrompidos
Na tarde desta sexta-feira (23), o pai de Lorrayne foi até o pátio da polícia resgatar a moto da filha mais velha, que estava na colisão. Marcos conta que também pode ver a moto que era usada pelos assaltantes no momento da colisão e que sentiu vontade de destruiu os dois veículos. “Nunca imaginei que conseguiria, que seria forte o suficiente para olhar o veículo que tirou a vida de um filho meu”, diz.

De acordo com Marcos, a filha tinha acabado de conseguir o primeiro emprego. Lorrayne estava trabalhando há menos de um mês como secretária em um consultório de estética. Segundo o pai da jovem, ela estaria planejando investir o primeiro salário, que seria pago no próximo dia 25, nos custos para tirar a carteira de motorista.

“Ela era um anjo, esforçada, gostava de trabalhar. Eu queria dar uma moto para ela depois que tirasse a habilitação. Ela ia andando para o trabalho, que fica longe de casa, a moto facilitaria a vida dela”, conta o pai

Segundo Marcos Antônio, a dor da perda da caçula é maior do que achou que um dia conseguiria sentir, mas como a esposa e a filha ainda estão muito abaladas, ele precisa se manter firme para tratar da situação. Além disso, os ferimentos nas pernas da filha mais velha, que também estava no acidente, ainda estão roxos e a recuperação deve durar algumas semanas.

“Tangará da Serra inteira compareceu ao enterro da minha filha. A vontade que todos nós sentimos é a de acabar com a vida dos responsáveis. Mesmo assim, quem vai devolver a Nayara? Quem vai pagar pelas nossas perdas emocionais e materiais?”, desabafou.

Colisão
As imagens da câmera de segurança de uma panificadora mostram o momento da colisão. Lorrayne estava como passageira da moto, enquanto a irmã pilotava. Os dois suspeitos invadiram a preferencial da avenida em alta velocidade. Um fugiu e o outro se machucou. O suspeito ferido foi encaminhado para um hospital e acabou preso. O outro assaltante foi preso na quinta-feira (23).

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