Blog do Levany Júnior

FOTOS IMAGENS-Protesto contra morte de menino no Alemão tem confronto com a PM

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Um protesto realizado na tarde desta sexta-feira (3) contra a morte de Eduardo de Jesus Ferreira, 10, vítima de uma bala perdida no Conjunto de Favelas do Alemão, subúrbio do Rio, terminou em confronto entre moradores e polícia.

O protesto começou pacífico por volta das 16h. Moradores pediam paz, agitando panos e lençóis brancos e carregando cartazes. O grupo estava na Estrada do Itararé, uma das vias de acesso à comunidade, e ia em direção à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão, quando teve início um tumulto.

A Polícia Militar usou bombas de efeito moral e gás pimenta. Parte dos manifestantes atirou garrafas e pedras contra os policiais.

Moradores cobriram os rostos com panos para amenizar os efeitos das bombas. Pessoas de idade, que participavam do protesto, se esconderam em bares.

Às 17h30, a Estrada de Itararé foi liberada, mas os ônibus ainda desviavam pela Avenida Itaoca. Por volta das 18h, um grupo ateou fogo em objetos (assista no vídeo ao lado) e montou barricadas. Um grupo de motociclistas circulava pelas ruas do complexo.

O policiamento foi reforçado com policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) no local. às 18h30, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que o policiamento continuava reforçado pelo Comando de Operações Especiais (COE).

As UPPs são unidades policiais instaladas nas favelas do Rio como parte de um projeto de segurança da Secretaria Estadual de Segurança. Desde 2008, foram instaladas 38 UPPs, que contam com um efetivo de 9.543 policiais. No Alemão, a operação para instalar a unidade ocorreu em

Protesto de amigos e parentes do menino Eduardo na Estrada do Itararé, no Complexo do Alemão, acabou em confronto da PM com moradores. Policiais usaram bombas de gás e spray de pimenta para dispersar os manifestantes (Foto: Guilherme Pinto/Extra/Agência Globo)

Moradores atiram garrafas contra policiais durante protesto no Alemão (Foto: João Laet/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

Entenda o caso
Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, foi baleado na porta da casa onde morava. Ele morreu na hora, no fim da tarde de quinta-feira, no Conjunto de Favelas do Alemão. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga a autoria do disparo.

A presidente Dilma Rousseff pediu punição após as investigações. “Espero que as circunstâncias dessa morte sejam esclarecidas e os responsáveis, julgados e punidos”, disse em nota.

Terezinha Maria de Jesus e José Maria Ferreira de
Souza, pais do menino Eduardo de Jesus (Foto:
Fábio Gonçalves/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

A doméstica Terezinha Maria de Jesus, 40, diz não ter dúvida de que um policial militar do Batalhão de Choque matou seu filho. Ementrevista ao G1, ela afirmou ainda que foi ameaçada pelo policial ao cobrar que o crime fosse investigado.

“Eu marquei a cara dele. Eu nunca vou esquecer o rosto do PM que acabou com a minha vida. Quando eu corri para falar com ele, ele apontou a arma para mim. Eu falei ‘pode me matar, você já acabou com a minha vida’”, afirmou.

Terezinha disse que estava sentada na sala assistindo televisão quando viu o filho ser morto. “Ele estava sentado no sofá comigo. Foi questão de segundos. Ele saiu e sentou no batente da porta. Teve um estrondo e, quando olhei, parte do crânio do meu filho estava na sala e ele caído lá embaixo morto”, disse.

Eduardo de Jesus Ferreira ia começar um curso na Tijuca, Zona Norte do Rio, segundo a mãe. “Ele estudava o dia inteiro, ele ia fazer um curso do Sebrae na Tijuca. Eu matriculei e ele ia começar na quarta-feira (8), e eles tiraram o sonho do meu filho”, afirmou.

PMs afastados
Os policiais do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) que estavam na operação que resultou na morte do menino foram afastados do policiamento nas ruas, tiveram suas armas recolhidas para a realização de exame balístico e estão respondendo a um Inquérito Policial Militar (IPM), informou nesta sexta-feira (3) o governo do estado.

Nesta sexta, a mãe de Eduardo prestou depoimento a policiais da Divisão de Homícidios no Institutlo Médico lecal (IML), na ZOna Portuária. Ela disse que quer enterrar o corpo do filho no Piauí, sua terra natal.

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