CEARA-CE-‘Vi quatro pessoas morrerem na minha frente’, diz educador físico que relatou em livro os dias de internação por Covid-19, no Ceará


Os vinte dias em leitos de tratamento contra a Covid-19 em um hospital de Fortaleza foram considerados intermináveis para o educador físico Leonardo Gurgel Pinto Dias, 46 anos. Com a saturação baixa, ele escapou de ser intubado devido ao uso do capacete Elmo, equipamento de respiração artificial criado no Ceará, viu quatro colegas de quarto morrerem de Covid-19, sentiu medo e decidiu contar sua experiência em um livro.

Leonardo Gurgel escreveu um livro relatando seus dias de internação por Covid-19 em Fortaleza. — Foto: Thiago Gadelha/SVM

Leonardo Gurgel escreveu um livro relatando seus dias de internação por Covid-19 em Fortaleza. — Foto: Thiago Gadelha/SVM

Contando os dias para sair do hospital e reencontrar a família, o educador físico passou a escrever sobre o período de internação e fez o livro Leito 61 – Um Relato dos Meus 20 dias de Internação , contando desde o adeus aos colegas de quarto às conquistas diárias na lenta recuperação.

“Meu primeiro momento de ansiedade, quando entrei na enfermaria, foi entender que eu teria que confiar muito na equipe médica. Vi quatro pessoas morrerem na minha frente, do meu lado. Vi serem intubadas, fazendo hemodiálise, vi morrerem, vi tudo. Vi a saída dos corpos, então, os próprios enfermeiros diziam para eu não olhar, mas de certa forma eu precisava ver”, relatou.

 

Resultado positivo

 

Leonardo começou a sentir os sintomas da doença e resolveu, por precaução, fazer um teste. O exame foi realizado no dia 1º de março e, dois dias depois, já com falta de ar e com a saturação baixando, ele procurou o Hospital São José, no Bairro Parquelândia, onde recebeu o resultado do exame: positivo para a Covid-19.

Com a saturação abaixo de 72, Leonardo foi internado na mesma unidade dois dias depois do exame. Devido à superlotação na unidade de saúde, ele passou dois dias na emergência do hospital. Cerca de 48 horas depois, o educador físico conseguiu um leito na enfermaria.

“Minha condição clínica me levaria para a intubação, mas a chefe da fisioterapia me colocou na Elmoterapia e isso me salvou”, relata o educador físico. Dias depois de receber ajuda do capacete Elmo para respirar, Leonardo passou a fazer Terapia de Alto Fluxo (TAF). E depois usou o Elmo novamente, alternando com uma máscara com reservatório para seguir recebendo oxigênio.



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