SÃO GONÇALO DO AMARANTE RN-Vacina do coronavírus: tire dúvidas sobre a corrida da ciência em busca da imunidade à Covid-19



De acordo com a OMS, até agora o dia 30 de março, ao menos 54 pesquisas de vacinas estavam em andamento em todo o mundo. — Foto: AFPDe acordo com a OMS, até agora o dia 30 de março, ao menos 54 pesquisas de vacinas estavam em andamento em todo o mundo. — Foto: AFP

De acordo com a OMS, até agora o dia 30 de março, ao menos 54 pesquisas de vacinas estavam em andamento em todo o mundo. — Foto: AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reúne mais de 40 iniciativas de cientistas que buscam uma fórmula que impeça a entrada do coronavírus. A busca por uma vacina é uma das complexas estratégias da luta contra o vírus responsável pela Covid-19.

Em quatro reportagens, o G1 mostra como o corpo luta contra a infecção, o que se espera dos remédios no futuro, o cenário dos testes no Brasil e as perspectivas sobre as vacinas.

Nesta reportagem sobre as vacinas, você verá:

  1. O que é uma vacina?
  2. Há uma vacina para proteger contra o coronavírus?
  3. Quantas pesquisas existem para fazer uma vacina contra o coronavírus?
  4. Por que demora para fazer a vacina contra o coronavírus?
  5. Brasileiros pesquisam uma vacina contra o coronavírus?
  6. Quanto tempo pode-se levar para desenvolver uma vacina?

1. O que é uma vacina?

Segundo o Ministério da Saúde as vacinas ensinam e estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos que levam as pessoas a ficarem imunes a determinadas doenças.

Quando uma pessoa é infectada pela primeira vez por uma substância estranha ao organismo, o sistema imunológico produz anticorpos – proteínas que atuam como defensoras no organismo -para combater aquele invasor.

“A produção não é feita na velocidade suficiente para prevenir a doença, já que o sistema imunológico não conhece aquele invasor. Por isso, a pessoa fica doente. Se aquele organismo invadir o corpo novamente, o sistema imunológico vai produzir anticorpos em uma velocidade suficiente para evitar que a pessoa fique doente uma segunda vez. Essa proteção é chamada imunidade. A vacina gera imunidade. Com os mesmos antígenos que causam a doença, mas enfraquecidos ou mortos, a vacina ensina e estimula o sistema imunológico a produzir os anticorpos que levam à imunidade”.- site do Ministério da Saúde.

Jorge Kalil, professor de medicina da USP e diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, explica que uma vacina é um produto que você injeta no indivíduo e que vai fazer com que ele tenha uma resposta imune contra aquele produto. “Esse produto tem alguma estrutura do vírus contra o qual que você quer se imunizar, pode ser por exemplo, um pedaço da proteína, uma estrutura de um vírus morto”.

Kalil explica que a vacina pode tanto criar uma imunidade contra o vírus como contra a célula infectada por ele.

2. Há uma vacina para proteger contra o coronavírus?

Ainda não há uma vacina para se proteger contra o coronavírus, mas há iniciativas de pesquisadores de todo o mundo que prometem entregar uma forma de imunização ainda em 2021.

Na primeira quinzena de março, cientistas norte-americanos realizaram o primeiro teste da vacina contra o coronavírus em humanos. As autoridades de saúde do país disseram, no entanto, que o processo de criação da vacina deve durar entre 1 ano a 18 meses.

Poucos dias depois, foi a vez de a China anunciar a autorização para os testes clínicos da vacina em humanos. A Academia de Ciências Médicas Militares da China, ligada ao exército, será responsável pelo procedimento no país asiático.

Até mesmo a OMS reforçou que a entrega da imunização deve acontecer em 2021. O diretor-geral da agência de saúde da ONU disse no final de março que a vacina demoraria ainda “pelo menos 18 meses.”

3. Quantas pesquisas existem para fazer uma vacina contra o coronavírus?

De acordo com a OMS, até agora o dia 30 de março, ao menos 54 pesquisas de vacinas estavam em andamento em todo o mundo – 52 em fase pré-clínica e 2 em fase clínica. Empresas e centros de pesquisas anunciam a cada dia que estão preparando testes experimentais de vacinas contra a Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

A Universidade de Oxford, na Inglaterra, convocou voluntários para testar uma vacina; e a empresa Johnson & Johnson divulgou que começará testes em humanos até setembro deste ano – e afirmou que quer colocar 1 bilhão de doses no mercado no início de 2021.

Kalil, que está liderando uma das pesquisas brasileiras para tentar desenvolver a vacina contra o coronavírus diz que existem vários grupos no mundo e vários tipos de estratégias sendo pesquisadas. Segundo o pesquisador, estes grupos se comunicam para se ajudarem na pesquisa e traçarem estratégias para o desenvolvimento da vacina.

4. Por que demora para fazer a vacina contra o coronavírus?

Para chegar a uma vacina efetiva, os pesquisadores precisam percorrer diversas etapas. Entre elas está a pesquisa básica – que é o levantamento do tipo de vacina que pode ser feita. Depois, passam para os testes pré-clínicos, que podem ser in vitro ou em animais, para demonstrar a segurança do produto; e depois para os ensaios clínicos, que podem se desdobrar em outras quatro fases:

  • Fase 1: feita em seres humanos, para verificar a segurança da vacina nestes organismos
  • Fase 2: onde se estabelece qual a resposta imunológica do organismo (imunogenicidade)
  • Fase 3: última fase de estudo, para obter o registro sanitário
  • Fase 4: distribuição para a população

Financiamento de pesquisa

Outro fator que influencia na demora para a vacina é a falta de financiamento da ciência. Kalil afirma que quanto mais recurso é destinado às pesquisas, mais rápido pode-se chegar a um resultado positivo. ” Os níveis de investimento ainda são fracos. Apesar dos esforços do Ministério, a gente ainda não tem os recursos que deveríamos ter”, diz.

“Quanto mais recurso a gente tem, mais a gente consegue ir rápido. Com investimento, conseguimos ter mais gente, conseguimos comprar os reagentes que precisamos e conseguimos fazer as pesquisas em paralelo, não de uma sequência para a outra. O trabalho vai mais rápido.” – Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração.

5. Brasileiros pesquisam uma vacina contra o coronavírus?

Dois grupos de cientistas brasileiros estão pesquisando para chegarem a vacina. Um deles, liderado pelo médico Jorge Kalil , no laboratório de imunologia do Instituto do Coração (Incor), vai sintetizar em laboratório uma parte de uma proteína do coronavírus, importante para penetração na célula. Por meio do método, os cientistas planejam chegar, nos próximos meses, a uma vacina.

Primeiro, ela será testada em camundongos. Caso os testes tragam bons resultados, a expectativa é de que possa ser aplicada em pacientes em até um ano e meio. Enquanto a vacina dos brasileiros busca recriar uma parte da proteína do vírus, as de outros países recorrem a métodos que envolvem a inserção de moléculas sintéticas de RNA mensageiro (mRNA) — que têm as instruções para a produção de alguma proteína reconhecível pelo sistema imunológico.

Nas pesquisas feitas em outros países, o objetivo é que o sistema imunológico reconheça as proteínas artificiais para que elas possam ajudar no combate ao coronavírus.

Em um outro grupo, o trabalho é desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Minas, que estão integrando uma rede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV).

A Fiocruz explica que a pesquisa vai acontecer em diversas etapas. Para iniciar o estudo, os pesquisadores vão trabalhar na construção de um vírus recombinado. “O vírus da influenza será modificado dentro do laboratório para que ele possa transportar parte da proteína do novo coronavírus, que lhe dará capacidade de oferecer proteção contra a Covid-19”.

6. Quanto tempo pode-se levar para desenvolver uma vacina?

Para se ter uma ideia, a vacina da dengue ficou cerca de 15 anos em pesquisa. “Uma vacina, normalmente leva de 10 a 15 anos para ser desenvolvida”, afirma Jorge Kalil. Mas, segundo o médico, o tempo para o desenvolvimento depende muito do investimento que é destinado às pesquisas.

Atualmente, devido à gravidade da situação, há uma necessidade de urgência para se chegar logo ao resultado. Kalil acredita que a vacina desenvolvida por seu grupo de pesquisa pode levar até um ano para começar a ser testada em humanos. Mas independente do tempo para o resultado, o médico afirma que é importante para o país ter sua própria tecnologia.

“O Brasil tem excelentes cientistas para chegar a um bom resultado, mas ainda não temos tantos recursos como deveriamos ter. A ciência tem que estar sempre investindo pois em um momento como esse quem traz as respostas é a ciência brasileira. Não adianta vir de fora, temos que ter capacidade interna. Se os Estados Unidos fizerem uma vacina, eles vão primeiro vacinar os americanos. Se a gente conseguir a nossa, não temos que pagar por alta tecnologia lá fora. A solução ideal é chegarmos a vacina aqui”. Jorge Kalil – Professor da faculdade de medicina da USP.

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OMS diz que desenvolvimento de vacina contra coronavírus deve demorar mais de 18 meses

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