SÃO GONÇALO DO AMARANTE RN-Oito estados do Nordeste lideram “extrema pobreza” do país


Por Josivan Barbosa

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A extrema pobreza cresceu em todo o país durante a crise, de 2014 a 2017, mas foi na região historicamente mais carente, o Nordeste, em que essa piora se deu de forma mais intensa. Estados como Bahia, Piauí e Sergipe viram dobrar ou quase dobrar o número de famílias vivendo na miséria.

Nove Estados atingiram um nível recorde no ano passado. Na média nacional, a pobreza extrema avançou de 3,2% em 2014 para 4,8% em 2017, maior patamar em pelo menos sete anos. Dos dez Estados com maior proporção de famílias vivendo em situação de miséria no país, oito ficam no Nordeste.

O Maranhão segue liderando o ranking de extrema pobreza do país. Mais abaixo aparecem Acre, Bahia, Piauí, Alagoas, Sergipe, Amazonas, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Na contramão, a Paraíba registra diminuição.

São consideradas em situação de extrema pobreza as famílias com renda domiciliar per capita abaixo de R$ 85 no ano passado.

Inflação

O próximo governo terá que se posicionar acerca do que fazer com a continuidade do regime de inflação. Mantida a regra, ele terá que definir em 2019 a meta de 2022 e assim sucessivamente, até definir a meta de 2025 no seu último ano de gestão, em 2022.

Quando o atual regime de inflação se iniciou, o país tentou ter um sistema que convergisse para metas muito baixas, que esbarrou nas dificuldades vivenciadas pela economia brasileira a partir de 2001. Depois de alguns anos tumultuados, a partir de 2005 e por um período de 14 anos, vigorou uma meta de 4,5%.

Ano passado, o governo anunciou duas novidades. A primeira foi a redução da meta, pela primeira vez desde meados da década passada. E a segunda foi a mudança da periodicidade, uma vez que ao invés de em junho ser definida a meta dois anos à frente, estendeu-se o período de alcance da meta e ela foi fixada também para 2020, quando será de 4%, tendo sido a meta de 2019 definida em 4,25%. Em junho do corrente ano, o Governo apontou a meta de 2021, que, conservando a tendência, foi definida em 3,75%, com nova queda de 25 pontos.

Campos Maduros

A ANP publicou resolução que reduz em até 5% a cobrança de royalties sobre a produção incremental em campos maduros. Isso deve atrair interessados nesses campos, já que se disciplina sobre o que deve ser feito para obter tais incentivos para elevar a vida útil dos campos, mas por outro lado reduz a arrecadação de royalties para os governos municipal, estaduais e federal.

Os campos maduros são os que têm mais de 25 anos ou os que já atingiram 70% da estimativa de produção. Nessa concepção há 241 campos (53% do total do país), dos quais 54% estão concentrados na Bacia de Campos, cuja produção começou nos anos 70. A Bacia RN-CE tem também um número considerável de poços maduros e há uma expectativa de que a exploração pelo setor privado se converta em incremento de royalties.

Fruticultura

Os exportadores de frutas do Brasil veem boa chance de ganhos se houver uma negociação com os Estados Unidos sobre reciprocidade tarifária, como o presidente Donald Trump ameaça fazer com vários parceiros. De acordo com Luiz Roberto Barcelos (Sócio-proprietário do grupo Agrícola Famosa, presidente do COEX e presidente da Associação Brasileira de Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) será uma boa oportunidade porque há anos se tenta melhor acesso aos EUA, mas sem sucesso.

Trump tem feito ameaças persistentes de impor taxas de reciprocidade sobre vários parceiros com o objetivo de ter as mesmas tarifas de importação que esses parceiros aplicam contra os EUA, sem levar em conta que as alíquotas existentes são resultado de demoradas barganhas.

Exportação de frutas

O Brasil é o terceiro produtor mundial de frutas, atrás de China e Índia. Mas só exporta 2,5% do que produz, e sua fatia nas vendas globais é de 3%. Para 2018, a expectativa é que as exportações brasileiras cresçam cerca de 12% e alcancem quase US$ 1 bilhão. Com a recessão no país até recentemente, a demanda interna caiu e a saída foi lutar mais no exterior.

Cimento

No início do ano, o setor cimenteiro projetou, conforme desempenho verificado a partir de dezembro de 2017, que as vendas de cimento poderiam crescer de 1% a 1,5% neste ano, comparado com o desempenho de 2017, que foi de 53,3 milhões de toneladas. Mas, o que se verá é um decréscimo da ordem de 2% ante o desempenho de 2017. E a capacidade ociosa do parque fabril cimenteiro deverá terminar o ano em 48% – o parque cimenteiro tem condições de fabricar 100 milhões de toneladas ao ano. Em quatro anos, a retração acumulada nas vendas das cimenteiras chega a 26%

Estimava-se vender 54 milhões de toneladas em 2018. Agora, nos cálculos do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), com números revisados, após os dados de setembro, estima-se vendas de 52,1 milhões de toneladas.

Anos dourados

Os anos dourados da indústria cimenteira – de 2005 a 2014 – ficaram apenas na lembrança das fabricantes locais. No período, o consumo no país mais que dobrou, para 72 milhões de toneladas. Hoje, de 100 fábricas instaladas, cerca de 20 estão com atividades paralisadas e das 80 que operam muitas estão com um ou até dois fornos desativados.

Os números compravam essa realidade. O SNIC divulgou que as vendas internas caíram 2,2% na soma de janeiro a setembro, na mesma base de comparação, para 39,52 milhões de toneladas. Em setembro, frente ao mesmo mês de 2017, o recuo foi de 5,6%, em 4,6 milhões de toneladas. Em 12 meses, de outubro do ano passado a setembro, as vendas caíram 2,9%, ficando em 52,4 milhões de toneladas.

O aumento do custo do frete é um item crucial no negócio do cimento e do coque. Gastos com transporte de cimento correspondiam a 28% da receita líquida das empresas. Com o reajuste de 114%, essa fatia elevou-se para cerca de 50%. É um grande baque na conta das empresas. O coque, que representa 35% do custo de fabricação do cimento e é trazido dos EUA, subiu quase 200% em dois anos e meio.

Biometria

A identificação biométrica não funcionou para 10% dos mais de 87 milhões de eleitores habilitados a usar tecnologia na eleição de domingo. O percentual, que é superior aos 8,5% do pleito de 2014 – quando 21,6 milhões de eleitores tinham digitais cadastradas – foi considerado aceitável pelo tribunal. O plano do TSE é ter um índice de reconhecimento superior a 90%.

Explicação

Três fatores podem ter feito o percentual ficar em 10% no primeiro turno do pleito deste ano. O primeiro está relacionado à coleta inicial das digitais. Se o processo não foi bem feito, a verificação na sessão de votação pode dar problemas. O segundo é o possível desgaste da digital entre a coleta e o dia da votação por conta de fatores como o tempo seco ou sujeira. A terceira hipótese é uma falha no acompanhamento por parte do mesário.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo

Sábado – 13/10/2018 – 23:59h

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