SÃO GONÇALO DO AMARANTE RN-Experiente político potiguar, Ney Lopes ver riscos graves para o RN com a eleição de Fátima Bezerra e Bolsonaro presidente, em virtude de conflitos


“Em relação ao candidato, hoje praticamente eleito, Jair Bolsonaro, a candidata Fátima não esconde ataques virulentos e insultos pessoais”., diz Lopes

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O advogado militante e consultor, jornalista, político Ney Lopes, dono de um extenso currículo profissional e experiência política pelos cargos importantes que ocupou representando o Rio Grande do Norte, analisou e fez previsões nada boa para o futuro do RN com a eleição da senadora Fátima para governar o Rio Grande do Norte, tendo em vista a eleição praticamente certa do presidenciável Jair bolsonaro (PSL).

Veja:
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Do editor

Em entrevista recente na Inter TV Cabugi, a candidata Fátima Bezerra, do PT, ao governo do RN, argumentou que, caso ela fosse eleita, juntamente com o Presidente da República Jair Bolsonaro, o RN nada perderia e os agudos problemas atuais do Estado seriam resolvidos, inclusive a liberação de recursos para resolver o déficit fiscal, o maior do nordeste (R$ 1.3 bi).

A petista citou os governadores do PT e do PCdoB, bem sucedidos no nordeste e que foram reeleitos no primeiro turno. Destacou que esses governadores eram oposição a Temer e não tiveram acesso ao governo federal.

Assegurou, ainda, que eleita governadora chegaria em Brasília com força política, pois elegeu dois Senadores (incluindo o seu suplente) e dois deputados federais do seu partido.

Entretanto, o verdadeiro cenário pós-eleição seria bem diferente do que o traçado por Fátima Bezerra.

Em política há situações que não dependem das pessoas, mas sim das circunstâncias e conjunturas.

Analisemos os fatos e as suas consequências possíveis.

Os governadores do PT e PCdoB do nordeste bem avaliados e reeleitos, não sofreram restrições políticas do governo Temer.

Todos eles estavam na metade dos mandatos, quando Temer assumiu à presidência, já com metas e programas definidos.

Não há um só fato ocorrido que demonstre protestos desses governadores, acusando a existência de barreiras administrativas entre eles e Temer.

Ao contrário, todos esses governadores foram durante anos correligionários fieis e amigos de Michel Temer e apoiaram a sua indicação para vice de Dilma.

Mesmo antes de ser vice-presidente, Temer era considerado pessoa de confiança política de Lula e do PT.

Portanto, não houve antagonismos entre esses governadores e o presidente que assumiu, após o impeachment de Dilma.

É claro que o afastamento da Presidente deixou rusgas, porém não suficientes para criar obstáculos, que dificultassem as administrações petistas estaduais.

Somente para exemplificar: na Paraíba, o deputado Aguinaldo Ribeiro, ex-ministro, era líder do governo Temer na Câmara e correligionário do governador Ricardo Coutinho, do PSB, oposição ao governo Temer e aliado do PT.

O governador Ricardo Coutinho é uma das principais lideranças da esquerda no nordeste.

Percebe-se que nos dois anos de governo Temer a convivência com os adversários foi assimilada, sem represálias ou conflitos.

No caso do RN, se Fátima fosse governadora e Bolsonaro presidente, seria uma situação totalmente diferente, pois se trataria de início de administrações, onde as parcerias e a convivencia pacífica seriam definidas.

Conjuntura totalmente diferente daquela dos governadores petistas, quando Temer assumiu.

Analisada a eleição de 2018, o quadro, as situações e as circunstancias são outras, típicas do atual momento nacional.

O país está literalmente dividido. E não é uma divisão entre nomes de candidatos. Mas sim entre dois grupos.

A divisão ocorre entre PT e “anti-PT”, por várias razões, sobretudo os desastres administrativos e políticos atribuídos ao petismo.

Nesse clima, Fátima Bezerra é uma militante petista singular, radical e única, só comparada a Gleisi Hoffman.

Ela tem posição inflexível, na defesa do ex-presidente Lula.

Se comparada com os governadores petistas reeleitos no nordeste, a posição política de Fátima Bezerra é tão diferente deles “quanto a água para o vinho”, pela agressividade e contundência de combate a quem não é petista.

Ela faz questão de ser assim. Não mede palavras, nem transige, em nada.

Em relação ao candidato, hoje praticamente eleito, Jair Bolsonaro, a candidata Fátima não esconde ataques virulentos e insultos pessoais.

Há um clima de guerra e antagonismos crescentes. Uma verdadeira “queda de braço”.

Os dois senadores e dois deputados federais que Fátima Bezerra cita como “trunfo” para chegar em Brasília, jamais iriam facilitar uma convivência pacífica com o governo federal, capaz de transformar-se em parcerias concretas para a recuperação do estado.

Esses parlamentares serão adversários ortodoxos e aprofundarão o “fosso” entre a possível administração Fátima Bezerra e o possível governo Bolsonaro.

Ora, como diz o velho ditado popular “na briga entre o mar e o rochedo, quem perde é o marisco”.

E todo mundo sabe, que o “marisco” nessa história será o Rio Grande do Norte.

Caso Fátima Bezerra for eleita governadora do Estado, por mais acessível que pudesse ser o presidente Jair Bolsonaro (e não será), as dificuldades serão quintuplicadas.

O RN estará condenado a viver mais à míngua do que já vive, com déficit, greves, aumento da violência, “favelização” dos serviços de saúde e educação.

Bolsonaro se propõe a ser o contrário de Lula e do estilo PT. Fátima jamais aceitará tal posição e transformaria o governo do RN em palanque de oposição permanente.

Há que se analisar também que, pelo seu passado de radicalismo, Fátima Bezerra não mudará e não sacrificará as suas opiniões pessoais, em benefício do RN.

Nunca se aproximaria de Jair Bolsonaro para tentar o diálogo.

Ela seria no país o “exemplo de fidelidade à Lula”, ao lado de Gleisi Hoffmam e movimentos sociais, contestando e se opondo ao governante eleito no plano federal.

Pergunta-se: em termos realistas, esse caminho político facilitará a recuperação econômica, política e social do RN, hoje afundado em problemas e crises?

Ao contrário de Fátima, caso eleito governador do RN, Carlos Eduardo teria circunstâncias favoráveis para exercer o seu papel de reconstruir o Estado.

Tudo começa com o seu apoio à Jair Bolsonaro, no segundo turno.

Nesse ponto, Fátima e o PT tentam desqualificar esse apoio, acusando de oportunismo.

Total contradição e fragilidade o argumento levantado.

Contradição porque, ao dizer que Carlos Eduardo aderiu por oportunismo, Fátima já admite a vitória de Jair Bolsonaro.

Não se poderia falar de oportunismo, sem a certeza de uma vitória eleitoral.

Além do mais, segundo turno é “escolha de Sofia” para quem disputa um cargo, que tem responsabilidades com a coletividade.

A opção para o segundo turno de um candidato a governador, não significa a sua escolha e preferência, mas sim o melhor caminho para ser fiel ao que promete à população.

É o caso de perguntar: como Carlos Eduardo na eleição de 2018 poderia subir num palanque tumultuado, cheio de radicalismos e restrições, como o do PT e Haddad no RN?

Talvez o seu apoio fosse até rejeitado, diante do conhecido radicalismo petista capítaneado historicamente por Fátima Bezerra.

O PT não tem demonstrado postura de estadista, capaz de absorver contrários.

O PT coloca-se sempre como partido que tem a propriedade privada da verdade e até os que aderem às suas causas são recebidos com extrema reticência.

Há que se destacar, que o PDT, partido de Carlos Eduardo, está numa posição clara de pré-oposição ao PT, após as eleições.

Ciro Gomes e seus familiares não escondem esse posicionamento.

Tanto é verdade que o presidente do PDT já declarou, não ter obrigação de exigir que Carlos Eduardo aderisse ao PT no RN.

Logo, o PDT absorveu a posição tomada pelo candidato em nosso estado, que não foi de oportunismo, mas sim a única saída que lhe restava para não ficar a reboque da sua adversária Fátima Bezerra.

Como a tendência será a vitória de Bolsonaro, o candidato Carlos Eduardo, voltado para as soluções futuras que beneficiem o Estado abriu “uma janela” de diálogo com o governo federal.

Cabe observar que será um risco gravíssimo, se o Rio Grande do Norte “fechar” essa janela, através do “voto” no próximo dia 28.

A sorte está lançada!

Não se trata de preconceito, nem discriminação, em relação a candidata Fátima Bezerra, mas análise realista, considerando o momento nacional e o “estilo” radical com que ela sempre fez política no RN.

Caso perca a eleição, Fátima Bezerra voltará para o senado e exercerá por quatro anos o resto do seu mandato e não terá usado o governo do RN para colocar-se em confronto direto e permanente com um Presidente da República, eleito nas urnas.

Ela poderá até exercer a oposição no Senado, ao seu estilo. É legítimo.

Porém, não usaria o Executivo do nosso Estado como “escudo”, na defesa de ideologias extremas e radicais e, sobretudo, não transformaria o governo estadual em instrumento útil, em favor da obsessão pessoal de favorecer e libertar da prisão o seu ídolo, o ex-presidente Lula.

Diante desse quadro, com fatos políticos incontestáveis, caberá ao eleitor potiguar decidir sobre o amanhã do nosso povo.

Caso prevaleça a insensatez, o eleitor não poderá reclamar, pois terá sido ele o responsável.

Estará consumada a decisão de viver num Estado, no mínimo pelos próximos anos, estigmatizado pelo radicalismo, mergulhado em profunda crise econômcia e política, sem perspectivas de sonhar com um futuro melhor.

De agora por diante, somente resta aguardar o desfecho final, no dia 28 próximo.

O alerta está dado!

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