SÃO GONÇALO DO AMARANTE RN-HISTÓRIA


SÃO GONÇALO DO AMARANTE: UM DOS MUNICÍPIOS QUE MAIS CRESCE NO RIO GRANDE DO NORTE

O município de São Gonçalo do Amarante é, atualmente, um dos municípios que mais crescem no Rio Grande do Norte. O município foi palco de um dos eventos mais significativos de toda a história do Estado, o Massacre de Uruaçu, ocorrido em 1645, quando os holandeses mataram cerca de 80 pessoas. O município conta também com uma rica tradição cultural, possuindo vários lugares históricos e monumentos.
São Gonçalo do Amarante abriga também o Aeroporto Internacional Governador Aluísio Alves, inaugurado em 2014 e projetado para ser um dos maiores do mundo.
A área do município é de 249,124 km², com uma população estimada em 2014, segundo dados do IBGE, de 96.759 habitantes, com uma densidade demográfica de 388,39 hab./km².

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Em vermelho o mapa de São Gonçalo do Amarante – RN

HISTÓRIA

Antes da sua ocupação pelos portugueses, a área que atualmente compreende o município de São Gonçalo do Amarante era habitado pelos índios potiguaras. A primeira penetração de brancos no território do atual município se deu provavelmente no início do século XVII, quando membros da família Estevão Machado de Miranda requereram uma sesmaria e fundaram o Engenho Potengi, onde foram sacrificados pelos holandeses em 1645, em Uruaçu. Após o massacre, apenas em 1689 teriam ocorrido as expedições que deram origem ao repovoamento do local, vindos de Pernambuco, após a expulsão dos invasores.
O Engenho Potengi teve uma importância histórica e econômica expressiva, tanto para a Capitania do Rio Grande, como para São Gonçalo do Amarante. Suas últimas proprietárias foram Fenomila e Esmeraldina Machado, descendentes de Estevão Machado de Miranda.

Local onde ficava o antigo Engenho Potengi, em São Gonçalo do Amarante – RN

Por volta de 1710, os primeiros exploradores a se fixarem no município foram os portugueses Paschoal Gomes de Lima e Ambrósio Miguel de Serinhaém, que vieram de Pernambuco e construíram duas casas e a capela onde hoje se encontra a Igreja Matriz, próximo ao antigo Engenho Potengi. No altar da capela foi colocada uma imagem de São Gonçalo do Amarante, feita de pedra, dando origem ao topônimo do município.
Em 1757, esteve em visita ao Rio Grande do Norte o ouvidor Domingos Monteiro da Rocha. Naquela época, a freguesia de Natal contava apenas com três povoações: Ceará-Mirim, São Gonçalo e Papari (atual Nísia Floresta).
Em 11 de abril de 1833, durante o governo de Manoel Lobo de Miranda Henrique, que possuía laços de parentesco com famílias de São Gonçalo, foi criado o município de São Gonçalo do Amarante. Em 1856, durante o governo de Antônio Bernardes de Passos, São Gonçalo foi atingido por uma epidemia de cólera que matou 171 pessoas, deixando a vila completamente decadente e devastada. Em 1868, por meio de uma lei provincial nº 604, de 11 de março do mesmo ano e sancionada pelo governador Gustavo Augusto de Sá, o município perdeu sua autonomia, sendo anexado ao município de Natal, capital da província do Rio Grande do Norte. Em 1874, por meio da lei nº 689, de 3 de agosto, a vila foi desmembrada e novamente elevada à condição de município, com a mesma denominação e os mesmos limites.

Rio Potengi, em São Gonçalo do Amarante – RN

Em 1879, São Gonçalo perdeu novamente o status de município e voltou a ser vila, quando passou a pertencer a Macaíba, antes denominada Cuité. Em 1890, alguns meses após a Proclamação da República, o vice-presidente do Estado do Rio Grande do Norte, José Inácio Fernandes Barros, elevou a vila de São Gonçalo do Amarante novamente à condição de município.
Com o decreto-lei estadual nº 268 de 1943, São Gonçalo do Amarante mais uma vez perdeu sua autonomia política, voltando de novo a ser distrito de Macaíba, com o nome de Felipe Camarão, perdendo, também, parte de suas terras para São Paulo do Potengi. Através da sanção da lei estadual nº 2.324, de 11 de dezembro de 1958, o distrito obteve definitivamente sua emancipação política, com o seu nome alterado, de Felipe Camarão para seu nome atual, São Gonçalo do Amarante, promulgado pelo vice-governador Dr. José Augusto Varela.

São Gonçalo do Amarante, Portugal: município topônimo de São Gonçalo do Amarante – RN

GEOGRAFIA

O município de São Gonçalo do Amarante está localizado na mesorregião Leste Potiguar, fazendo parte da microrregião de Macaíba e da Região Metropolitana de Natal, numa área conurbada com a capital potiguar, compreendendo também à área turística denominada Polo Costa das Dunas. Está localizado à margem esquerda do rio Potengi, fazendo limites com  Natal a leste, Macaíba a sul, Ceará-Mirim eExtremoz a norte e Ielmo Marinho a oeste.

Mapa do Rio Grande do Norte, com destaque para São Gonçalo do Amarante

O clima predominante em São Gonçalo do Amarante é o tropical chuvoso, com temperatura média em torno dos 27°C, com chuvas concentradas nos meses de abril, maio, junho e julho. A precipitação média anual é de 1.250 milímetros, com a umidade relativa do ar média em torno de 76% e insolação chegando a 2.700 horas anuais.
São Gonçalo do Amarante está a uma altitude de 10 metros acima do nível do mar, onde no município predomina um relevo de planícies fluviais, formadas por terrenos planos e baixos compostos por argila, de cor amarela/avermelhada. Próximo às várzeas do rio Potengi ocorre a presença de sedimentos costeiros e terraços de tabuleiros do Grupo Barreiras. O solo predominante é o aluvial, ocorrendo também os solos de mangue.
O rio Potengi corta grande parte do município de São Gonçalo do Amarante, com sua bacia hidrográfica compreendendo cerca de 82,65% da área. Os 17,35% restantes compreende a bacia do rio Doce. Os principais afluentes do rio Potengi em São Gonçalo do Amarante são os rios Jundiaí, Camaragibe, do Prata, Guajiru e o córrego dos Guajirus.
As principais lagoas do município são Bela Vista,, Onça, Santo Antônio, Serrinha e Tapará.
Originalmente, São Gonçalo do Amarante era coberta, em sua grande parte, pela Floresta Litorânea ou Mata Atlântica, pela vegetação de mangues, nas várzeas do rio Potengi, e pela Floresta Subcaducifólia. Grande parte da vegetação original do município já foi quase toda devastada.

Rio Potengi, em São Gonçalo do Amarante – RN

ECONOMIA

A economia de São Gonçalo do Amarante é baseada, em sua maior parte, pelo setor terciário. No setor primário destaca-se a agricultura de subsistência, com o cultivo voltado para a produção de frutas e legumes. Na pecuária, destacam-se a criação de bovinos (voltados à produção de leite), de caprinos e de ovinos. Na pesca destaca-se a criação de crustáceos e moluscos, principalmente camarão, marisco, ostra e sururu. A carcinicultura é desenvolvida ao longo do rio Potengi, principalmente em áreas de mangues.

A carcinicultura é uma importante fonte de renda em São Gonçalo do Amarante

O setor secundário é responsável pela segunda maior parcela do PIB (Produto Interno Bruto) de São Gonçalo do Amarante. A indústria mais abundante é a cerâmica vermelha, principalmente a produção de tijolos. Na comunidade de Serrinha, a extração mineral de pedreiras, usadas na pavimentação de ruas e avenidas e na construção civil, é uma das principais fontes de renda da comunidade. Na divisa entre os municípios de Natal, São Gonçalo do Amarante e Extremoz, encontra-se o Distrito Industrial de Natal, onde no município são-gonçalense existe quase 20 indústrias instaladas, com diversos ramos de atividades.

Cerâmica em São Gonçalo do Amarante – RN

O setor terciário é responsável por quase metade da economia do município. O comércio realizado em São Gonçalo do Amarante se destaca na venda de produtos alimentícios, em estabelecimentos comerciais, como bares, lanchonetes, mercados, mercearias, supermercados e uma variedade de pequenas lojas espalhadas pelo município. O ponto de maior destaque comercial da área do município é a avenida Tomaz Landim. O artesanato e o turismo são outras importantes atividades econômicas desenvolvidas em São Gonçalo do Amarante.

Av. Tomaz Landim – a avenida mais movimentada do município de São Gonçalo do Amarante – RN

O artesanato em São Gonçalo do Amarante tem se destacado a nível regional e nacional, tanto em argila, como em cipó, fibra, sisal, corda, etc. No município o que mais se destacou, ao longo do tempo, foi o artesanato em argila, principalmente no distrito de Santo Antônio do Potengi, justificado pela existência de matéria-prima em abundância e também pela facilidade em adquiri-la tão próxima à localidade.

Mercado Municipal do Artesanato, em Santo Antônio do Potengi, São Gonçalo do Amarante – RN

Na culinária de São Gonçalo do Amarante, são pratos típicos tradicionais o camarão, a galinha caipira e vários tipos de crustáceos. Na zona rural do município está localizada a comunidade-referência na gastronomia da Região Metropolitana de Natal: a comunidade Pajuçara, que é pouco populosa, mas dispõe de vários estabelecimentos onde o camarão é o prato típico mais consumido. A partir deles, diversos pratos derivados são preparados, como o camarão gratinado e o pirão de camarão, combinado ainda com outras comidas. Além do camarão, também se destaca a produção de doces e licores com sabor de frutas tropicais, na comunidade de Rio da Prata.

A comunidade de Pajuçara, em São Gonçalo do Amarante, se destaca na culinária da Região Metropolitana de Natal, principalmente de pratos derivados do camarão

O turismo é uma das atividades que mais tem crescido em São Gonçalo do Amarante nas últimas décadas. O município dispõe de várias atrações turísticas, que vão desde monumentos antigos até festivais existentes na sede e nas comunidades são gonçalense.

COMUNIDADES HISTÓRICAS DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE

Barreiros
O povoado de Barreiros é um dos mais antigos de São Gonçalo do Amarante, e está localizado próximo ao estuário do rio Potengi, onde é realizado a prática da pesca. Barreiros teve uma importância muito grande para o povoamento de São Gonçalo do Amarante pois, na época de sua colonização, abrigava um porto fluvial que dava acesso a Natal.

Entrada para a comunidade Barreiros

Utinga
O antigo engenho de Utinga já funcionava em 1638. Naquele remoto ano, o espião Ariano Verdonk, a serviço do governo holandês, fazia referências ao engenho Cunhaú e a outros dois engenhos existentes na jurisdição do Rio Grande, os quais fabricavam pouco açúcar: Potengi e Utinga. Nesse mesmo ano, segundo o historiador potiguar Olavo de Medeiros Filho, um mapa holandês redesenhado por J. Ving-Boons, como também outro mapa de 1643, de Jorge Marcgrave relativo à Capitania do Rio Grande, apresentava o topônimo Itinga (em tupi-guarani, Água Branca), informando existir ali um engenho e uma capela. É possível que a atual capela tenha sido construída no mesmo local da anterior, já existente na época do domínio holandês.
A atual capela foi erguida por volta de 1730, segundo documentos oficiais, e é dedicada à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. No frontispício da capela aparece o ano de 1787 e representa, provavelmente, a época em que o templo sofreu alguma reforma. A capela de Utinga e duas residências próximas apresentam características arquitetônicas do século XVII, o que comprova o período em que ambas foram construídas.
A capela serviu como rota para a ocupação holandesa no século XVII e desde 1989 é tombada pela Fundação José Augusto. Provavelmente, a estrada mais antiga do Estado, que ligava Baía da Traição, na Paraíba, até Natal, passava pela capela de Utinga. Atualmente, nesta antiga estrada, localiza-se uma porção significativa da atual BR-101, RN-160 e SGA-286.

Capela de Utinga, em São Gonçalo do Amarante – RN

Regomoleiro
O povoado de Rego Moleiro (ou Regomoleiro, como é mais conhecido) foi palco de dois fatos marcantes ocorridos na história de São Gonçalo do Amarante: o primeiro deles foi a morte de um dos defensores dos interesses holandeses na região, Jacob Rabbi; o outro é a participação da primeira mulher presidente da Câmara de Vereadores do município, Maria do Carmo Brito.
Seu nome original era Rodrigo Moleiro, nome do proprietário de um antigo moinho de cereais. Em 1910, sugeriu-se a mudança do povoado para Alberto Maranhão, por sua sugestão da intendência municipal, contudo, tal mudança não chegou a acontecer.
No povoado situa-se a capela de Rego Moleiro, uma das edificações mais antigas de São Gonçalo do Amarante, cuja data de construção é desconhecida. Sua característica arquitetônica denuncia tratar-se de uma edificação muito antiga. Sabe-se apenas que o povoado surgiu por volta de 1706.

Comunidade de Rego Moleiro, em São Gonçalo do Amarante

Santo Antônio dos Barreiros
O povoado de Santo Antônio dos Barreiros (também chamado de Santo Antônio do Potengi) foi criado em 1885 como vila, e surgiu a partir do interesse de uma família latifundiária que habitava suas terras. Surgiu próximo à vila dos Barreiros, daí o seu nome. Na década de 1970 foi elevado à categoria de distrito, com o nome de Santo Antônio do Potengi, que vem passando por um processo de urbanização e é o segundo distrito mais importante de São Gonçalo do Amarante, depois do distrito-sede. Guarda importantes marcos da história do município, como o antigo casarão da família Matoso e o engenho São Francisco.

Centro de Santo Antônio do Potengi – São Gonçalo do Amarante – RN

A capela de Santo Antônio do Potengi data do século XVIII, encontrando-se num local bem elevado, de onde se descortina a comunidade, a vista panorâmica do rio Potengi e algumas cerâmicas. Não se sabe a data exata da construção da capela, sabe-se apenas que em 1727 ela já existia.
O historiador Olavo de Medeiros Filho, ao pesquisar os livros remanescentes de registros, batizados, casamentos e óbitos da freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, deparou-se com referências à capela de Santo Antônio do Potengi desde 1727, período durante o qual conservou-se a antiga documentação. Apresenta também uma data no seu frontispício 1885, provavelmente indicativo de uma restauração procedida na capela.

Igreja de Santo Antônio, em Santo Antônio do Potengi – São Gonçalo do Amarante – RN

Igreja Nova
Igreja Nova surgiu em 1867, na condição de vila e seu fundador chamava-se João Félix de Lima. Passou a distrito na década de 1970. Enquanto distrito não teve o mesmo crescimento de Santo Antônio, mas tem se destacado no panorama político do município, onde existem duas famílias influentes na política: Protásio e Fernandes de Oliveira.
No ano da fundação da Vila de Igreja Nova (1867) foi erguida uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, que passou a ser padroeira da localidade, e recebeu o nome de Igreja Nova, nome vinculado ao templo ali erguido. A capela de Igreja Nova é um monumento de relevante interesse arquitetônico.

Capela Nossa Senhora da Conceição, em Igreja Nova – São Gonçalo do Amarante – RN

Poço Limpo (atual Ielmo Marinho)
Surgiu em 1875, pertenceu ao município de São Gonçalo do Amarante até 1943. Foi neste povoado onde ocorreu sérios atritos, como a lei do sistema métrico decimal, chamado de “briga do quebra-quilo”. Atualmente, este município conseguiu autonomia política, passando a chamar-se Ielmo Marinho.

Rua de Ielmo Marinho – antigo Poço Limpo

Uruaçu e o massacre feito pelos holandeses
O povoado surgiu por volta de 1609, tendo sua origem no arraial de Uruaçu, um sítio isolado e deserto, onde as pessoas da província se uniram em resistência aos flamengos (holandeses), em 1645. O arraial foi arrasado na manhã de 3 de outubro desse mesmo ano, originando em seguida o povoado atual. Foram homens, mulheres, e crianças indefesas que ali foram sacrificados em nome da fé cristã.
A chacina de Uruaçu encheu de pavor os habitantes do Rio Grande do Norte. Os que conseguiram fugir procuraram o exército dos patriotas em Pernambuco, os que não alcançaram, procuraram refúgio na Paraíba. Muitos não tiveram tempo de abandonar a capitania devastada, deixando casas e engenhos. Aproximadamente 70 pessoas, com suas famílias, recolheram-se num lugar deserto, nas vizinhanças do engenho Ferreiro Torto, em Macaíba.
O lugar deserto que se falava era Uruaçu, e o lugar do morticínio que ficava aproximadamente a 1 km de distância do povoado, era “Tinguijada”. Em homenagem ao massacre de Uruaçu, foi construída, em 1921, a capela de Uruaçu.

Capela em Uruaçu – São Gonçalo do Amarante – RN

As vítimas do massacre de Uruaçu vieram de sítios e dos engenhos adjacentes (Utinga, Ferreiro Torto e Potengi) e seguiram para o Castelo de Keulen (atual forte dos Reis Magos). Foram levados de Uruaçu como reféns, o Sr. Estevão Machado de Miranda (proprietário do engenho Potengi) e seu sogro João Lustal Navarro (antigo proprietário do engenho Potengi), Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, José da Silveira, Simão Correia, além de outros como padre Ambrósio Francisco Ferro (vigário de Natal na época), Diogo Pereira, José do Porto, Francisco Bastos e outros.
Na manhã de 3 de outubro de 1945, foram todos levados em uma jangada pelo estuário do rio Potengi, para o local destinado ao sacrifício, onde todos foram condenados pelo crime de amor à pátria e à religião.
Poucos sobreviveram à terrível chacina. Foi o caso de Helena da Cruz (uma das filhas de Estevão Machado de Miranda), que os holandeses trocaram com os índios por um cão de caça. O restante dos sobreviventes, mulheres e crianças, foram mandados para a Paraíba pelo holandês “Bullestratem”.
Por volta de 1654, os holandeses foram derrotados na capitania de Pernambuco, e abandonaram depois a capitania do Rio Grande. A capitania, quase destruída, retornou ao trabalho de repovoamento, já que sua população, em torno de 60%, fora dizimada.

Quadro que mostra os sobreviventes sendo levados pelos holandeses

Alguns remanescentes da terrível tragédia retornaram à nossa capitania por volta de 1687. O engenho Potengi destacou-se com sua policiada (uma das casas fortes), erguida contra a fúria dos índios Janduís (índios que habitavam o interior da capitania do Rio Grande e que se aliaram aos holandeses), fato este que serviu de obstáculo no processo de repovoamento da nossa capitania.

PRINCIPAIS PONTOS TURÍSTICOS DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE

Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante
A Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante foi construída no mesmo local da antiga capelinha, edificada no início do século XVIII, por iniciativa dos portugueses Paschoal Gomes de Lima e Ambrósio Miguel de Serinhaém.
Em 1719, o padre Simão Rodrigues de Sá, da paróquia de Natal, chegou ao sítio de São Gonçalo do Amarante, onde benzeu a capelinha e celebrou a primeira missa em 2 de fevereiro e, logo depois do almoço, fez o consórcio solene de uma filha de Ambrósio Miguel de Serinhaém com o filho de Paschoal Gomes de Lima, sendo este o primeiro casamento celebrado em São Gonçalo do Amarante.
Em 1838, iniciaram-se as obras de ampliação da capelinha, concluída em 1840. O primeiro vigário da nova matriz foi o padre José Monteiro de Lima, nomeado mediante concurso em 1844. Ele permaneceu na paróquia durante 28 anos, até o seu falecimento, ocorrido em 15 de janeiro de 1872. Seus restos mortais foram sepultados na própria matriz.

Matriz de São Gonçalo do Amarante – RN

A matriz de São Gonçalo do Amarante é um monumento de relevante interesse arquitetônico, constituindo um raro exemplar da arquitetura barroca no Rio Grande do Norte. Possui altares confeccionados em madeira de excelente qualidade, construído no século XIX por Pantaleão de Oliveira, um artífice nascido em São Gonçalo do Amarante. Um dos altares foi destruído por um incêndio, na noite de 31 de março de 1950, sendo reconstruído em 1957. Em 1963, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Interior da Igreja de São Gonçalo do Amarante

Casarão Olho d’Água do Lucas
O Casarão Olho d’Água do Lucas foi construído na metade do século XIX, em 1853, e possui esse nome em homenagem à família Lucas, a primeira detentora do casarão. O monumento possui escombros do engenho local e desenhos antigos feitos pelos escravos. O casarão encontra-se em processo de tombamento pela Fundação José Augusto.

Casarão Olho d’Água do Lucas, em São Gonçalo do Amarante – RN

Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves
A construção do Aeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, foi iniciada em 1996, com a primeira previsão de inauguração para 2009. As obras foram paralisadas diversas vezes, chegando ao início de 2011, com a pista de 3 mil metros de extensão por 60 metros de largura.
Em abril de 2011 o Governo Federal lançou o edital para a construção do restante do aeroporto (terminais de passageiros e de carga, equipamentos de navegação, pátios, acessos viários e estacionamentos), pela iniciativa privada responsável por explorar o aeroporto por 25 anos. Esse modelo de concessão foi denominado de Parceria Público-Privada (PPP), sendo o primeiro aeroporto brasileiro a operar com essa experiência, já que os demais aeroportos são operados pela Infraero.

Parte externa do Aeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante – RN

O aeroporto Governador Aluízio Alves foi projetado para receber 5 milhões de passageiros e 25 mil toneladas de carga por ano. O projeto também é torná-lo uma cidade de negócios (aerotrópolis), comshoppings, lojas, escritórios e no seu entorno uma zona de atividades industriais, com uma capacidade extraordinária de dinamizar o turismo, a indústria, a produção agrícola, a carcinicultura, a pesca e o comércio do Rio Grande do Norte, por conta das novas possibilidades logísticas de exportação.

Saguão do Aeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante – RN

O acesso ao aeroporto se dá por duas rodovias federais. O acesso norte é realizado pela BR-406, com acesso direto à capital do estado, e a BR-101 Norte. Já o acesso sul é realizado pela conjunção da BR-226 e BR-304, que dá acesso ao município limítrofe de Parnamirim e a BR-101 Sul.
Em operação desde o dia 31 de maio de 2014, o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves é o primeiro do Brasil administrado 100% pela iniciativa privada.

Via de acesso ao Aeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante – RN

Monumento dos Mártires
O Santuário dos Mártires de Uruaçu está localizado na comunidade rural de Uruaçu e foi erguido para homenagear os primeiros mártires brasileiros. O espaço é aberto aos turistas e religiosos, e a cada mês de outubro recebe milhares de fiéis de todas as partes do Rio Grande do Norte e do país que acompanham as celebrações e festividades em homenagens aos Protomártires do Brasil.
O local abrange uma área de dois hectares, doada pela família Veríssimo, proprietária da fazenda. O Monumento dos Mártires foi projetado pelo arquiteto Francisco Soares Júnior, tendo capacidade para receber 50 mil peregrinos. No altar, há um painel medindo 30 metros.

Monumento dos Mártires, em Uruaçu – São Gonçalo do Amarante – RN

CULTURA DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE

A Cultura popular de São Gonçalo do Amarante é bastante rica. A responsável pelo setor cultural do município é a Secretaria Municipal de Cultura, que tem como objetivo planejar e executar a sua política cultural por meio da elaboração de programas, projetos e atividades que visem ao desenvolvimento cultural. Além da secretaria, há também a Fundação Cultural Dona Militana, órgão de administração direta vinculada ao gabinete do  prefeito.
São Gonçalo do Amarante conta com o Teatro Municipal Prefeito Poti Cavalcanti, inaugurado em 2003, com capacidade para 238 pessoas, além de ser considerado como o templo de cultura de todo o município, sediando vários tipos de eventos.

Teatro Municipal Prefeito Poti Cavalcanti, em São Gonçalo do Amarante – RN

Dona Militana
São Gonçalo do Amarante também é a terra de algumas personalidades culturais importantes. Entre elas, a senhora Militana Salustino do Nascimento, conhecida como Dona Militana.
Dona Militana nasceu em Santo Antônio do Potengi, em 19 de março de 1925, e faleceu em 19 de junho de 2010, em São Gonçalo do Amarante, sendo filha do Mestre do Fandango, Sr. Atanásio Salustino do Nascimento e de Maria Militana do Nascimento. Aos sete anos já trabalhava na roça, plantando mandioca e feijão. Apesar de analfabeta e de ser proibida de cantar pelo seu pai, foi na lida do campo que memorizou os romances, sendo considerado por muitos, como a maior romanceira do Brasil.

Comunidade Oiteiros, em São Gonçalo do Amarante – RN. Local onde Dona Militana viveu

Gostava de ser chamada de Maria José, por não gostar de seu nome e também por homenagear o santo de sua devoção. Na década de 1990, o folclorista Deífilo Gurgel conheceu os cantos de Dona Militana e permitiu que o país inteiro conhecesse o talento dela. A romanceira chegou a gravar um CD triplo intitulado “Cantares”, lançado em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Em 1999, a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura realizou um projeto denominado “SÃO GONÇALO MOSTRA SUA ARTE”, com o objetivo de resgatar sua história e suas tradições culturais através das artes. Um dos resultados deste projeto foi o lançamento do CD Songa também dá coco, conservando letras, ritmos, contos, danças, músicas e os romances de Dona Militana.

Dona Militana (1925-2010)

Dona Militana aprendeu a cantar com seu pai romances ibéricos e nacionais. Sua memória guarda, por tradição oral, um considerável acervo, o que fez dela uma enciclopédia viva da cultura popular. Ela cantava seus romanceiros numa cadência que lembra o cantochão, com ritmo baseado na acentuação e nas divisões do fraseado. Na maioria das vezes, as narrativas cantadas são histórias trágicas, como a do “Conde de Amarante”, em que a esposa chora a ausência do marido, enquanto dá ao filho “o leite da amargura” e se despede da vida. Outros romances, como “Nau Catarineta”, trazem poesias de terras distantes, desconhecidas, lugares por onde Militana navegava com a memória e a imaginação:

“Ainda avistamos três moças

Oh tão linda!

Debaixo de um laranjal

Uma lavando ouro pedra

Oh tão linda!

Outra lavando metal.”

Em 2005, ela recebeu das mãos do presidente Lula a Comenda Máxima da Cultura Popular, em Brasília.

Dona Militana era uma católica bastante fervorosa

Grupos Folclóricos de São Gonçalo do Amarante

  1. Grupo Coco de Calemba
    O Grupo Coco de Calemba surgiu em 2008, na perspectiva de reativar as manifestações populares do município. a intenção é revitalizar em parceria com o ritmo e a música do Grupo de Raiz (da Melhor Idade), o Bambelô da Alegria e outras músicas de domínio público.
Grupo Coco de Calemba
  1. Grupo Boi Calemba Pintadinho
    Também conhecido como Boi de Reis ou Bumba Meu Boi, o Boi-Calemba é um auto popular que trata da morte e ressurreição de um boi. Os personagens que participam da brincadeira são em número de quinze, aproximadamente, compreendendo os Enfeitados, (Mestre, Galantes e Damas), os Mascarados (cômicos do espetáculo), em número de três: Mateus, Birico e Catarina, e os componentes da orquestrinha de pau e corda, banjo ou cavaquinho, com pandeiro e triângulo, na percussão.
    O Grupo Boi Calemba Pintadinho é um dos grupos mais tradicionais do Rio Grande do Norte, possuindo mais de 100 anos de existência.
Grupo Boi Calemba Pintadinho
  1. Pastoril de Dona Joaquina
    O pastoril é um dos quatro principais espetáculos populares do Nordeste brasileiro.O pastoril é uma tradição centenária de São Gonçalo do Amarante e voltou a tomar força com a oficialização do pastoril Dona Joaquina, em 2005. O grupo reúne descendentes e simpatizantes dos antigos grupos de pastoris da cidade, resgatando e mantendo a tradição cultural da Lapinha e do Pastoril na região. O grupo potiguar é formado por 18 pastorinhas, com idade entre 16 e 25 anos.
    Oriundo dos dramas litúrgicos representados nas Igrejas, aos poucos desvinculou-se dessa característica natalina, tornando-se o folguedo de maior aceitação popular no município. Essa brincadeira de mocinhas, traz como marca principal a herança recebida de avós, bisavós e de todas as matriarcas da região onde se origina o grupo.
Pastoril de Dona Joaquina
  1. Congos de Guerra
    Os Congos de Guerra é um grupo folclórico de Santo Antônio do Potengi, em São Gonçalo do Amarante, remanescentes dos antigos Congos de Saiote, também do município.
    Os Congos contam a história de uma batalha entre as hostes guerreiras de dois soberanos africanos, o rei Henrique Cariongo e sua famosa irmã, a rainha Ginga.
    A indumentária dos Congos é praticamente feita na base da improvisação, Os personagens principais são o rei Cariongo, o príncipe Sueno, seu filho, o secretário do rei, o embaixador da rainha Ginga, além dos soldados de Cariongo e de sua irmã, aproximadamente quinze brincantes. O repertório musical inclui marchas guerreiras, benditos e outras cantigas. O núcleo dramático é praticamente todo o auto: o combate entre os dois monarcas.
Congos de Guerra, de São Gonçalo do Amarante – RN

ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE

O IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) de São Gonçalo do Amarante, de acordo com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) – 2010, é de 0,661, o que situa o município na faixa de Desenvolvimento Humano Médio. A dimensão que mais contribuiu para o IDH-M municipal foi o fator Longevidade, com índice de 0,829, seguida da Renda, com índice de 0,619, e da Educação, com índice de 0,564. O IDH-M mede a qualidade de vida de uma população, tendo como base a expectativa de vida (longevidade), a saúde e a educação e a distribuição de renda.
O IDH-M passou de 0,395 em 1991 para 0,524 em 2000 – uma taxa de crescimento de 32,66%. Entre 2000 e 2010 o IDH-M passou de 0,524 para 0,661 – uma taxa de 26,15%.

FONTE: Pnud, Ipea e FJP

No município, a dimensão cujo índice mais cresceu em termos absolutos foi a Educação (com crescimento de 0,353), seguida pela Longevidade e pela Renda.
A Educação de São Gonçalo do Amarante obteve um IDH-M em 1991 de 0,211, passando para 0,361 em 2000 e 0,564 em 2010.

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO MUNICIPAL E SEUS COMPONENTES – SÃO GONÇALO DO AMARANTE – RN

IDH-M E COMPONENTES 1991 2000 2010
IDH-M Educação 0,211 0,361 0,564
% de 18 anos ou mais com ensino fundamental completo 20,47 28,21 48,49
% de 5 a 6 anos frequentando a escola 43,19 85,66 90,92
% de 11 a 13 anos frequentando os anos finais do ensino fundamental 20,82 42,66 80,82
% de 15 a 17 anos com ensino fundamental completo 11,59 21,40 45,34
% de 18 a 20 anos com ensino médio completo 9,92 13,30 26,58
IDH-M Longevidade 0,599 0,735 0,829
Esperança de vida ao nascer (em anos) 60,94 69,11 74,72
IDH-M Renda 0,486 0,543 0,619
Renda per capita (em R$) 165,07 234,24 377,16

Fonte: Pnud, Ipea e FJP

São Gonçalo do Amarante ocupa a 2.870ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros, segundo o IDH-M da Unidade Federativa (UF), passando de 0,493 para 0,727.   Entre 1991 e 2000, a população sãogonçalense cresceu a uma taxa média anual de 4,95%, passando de 46.034 para 71.083 habitantes. Entre 2000 e 2010, a população de São Gonçalo do Amarante cresceu a uma taxa média anual de 2,12, enquanto no Brasil, a taxa de crescimento populacional foi de 1,63% no mesmo período. Nesta década, a taxa de urbanização do município passou de 16,10% para 84,52%. De acordo com o censo do IBGE-2010, nesse ano o município contava com uma população de 87.668 pessoas.

Visão aérea de São Gonçalo do Amarante – RN

FONTE: Brito, Iaponira Peixoto. Estudos Sociais do Município de São Gonçalo do Amarante. Natal: Gráfica RN, 2002.

Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante – RN

Postado por MARCIANO DANTAS às 12:28:00 PM

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SÃO GONÇALO DO AMARANTE RN-HISTÓRIA
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Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: levanyjunior@blogdolevanyjunior.com

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