SANTA CATARINA-SC-Com regras nos presídios para conter coronavírus, ‘visita virtual’ conecta detentos e mães em SC Também foram utilizados emails com intermediação das assistentes sociais. Iniciativa buscou minimizar impactos psicológicos das famílias, já que as visitas convencionais estão suspensas desde março.



Equipamentos para videoconferência — Foto: Diorgenes Pandini/ NSCEquipamentos para videoconferência — Foto: Diorgenes Pandini/ NSC

Equipamentos para videoconferência — Foto: Diorgenes Pandini/ NSC

Com a chegada do Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), “visitas virtuais” conectaram presos a suas mães por videoconferência e emails. As visitas convencionais nos presídios de Santa Catarina estão suspensas desde março como medidas para impedir a propagação do novo coronavírus.

Duas portarias da Secretaria de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa (SAP), publicadas em abril, autorizaram a detentos em presídios e penitenciárias, além de adolescentes que estão no sistema socioeducativo de Santa Catarina, a “visita virtual” supervisionada por um agente penitenciário. A iniciativa buscou minimizar os impactos psicológicos e preservar a saúde dos presos, familiares deles e dos servidores, além de garantir um direito previsto na Lei de Execução Penal.

Em Joinville, no Norte catarinense, na tarde de sexta-feira (8), Isabel Ferreira de Campos, de 60 anos, recebeu a chamada de vídeo pelo celular do filho, que está preso há quatro anos. Marcada com antecedência por intermédio da assistente social, a ligação durou menos de dez minutos.

“Foi muito rápido e foi a primeira vez que conversei com ele por videochamada. Foi emocionante, quando a gente se viu começamos a chorar. Eu não apoio as coisas erradas que ele fez, não tinha motivo nenhum pra ele fazer, é mais um dia das mães sem ele”, disse.

Ela explica que um dos pontos da conversa foi saber como está a saúde do filho. “Sabe como é, coisa de mãe, quis saber se ele estava bem, se estava bem de saúde. E ele está bem, não passa frio, mas sempre me preocupo. Deu pra matar um pouco a saudade”, afirmou.

Conforme as portarias, as chamadas dos visitantes são monitoradas e interrompidas se algum deles tiver alteração psicomotora, se falar palavras de baixo calão ou agir de maneira desrespeitosa, e se praticar ou fazer menção de conduta que possa ser enquadrada como crime.

Edesia Bernardino com as cartas enviadas pelo filho — Foto: Arquivo pessoalEdesia Bernardino com as cartas enviadas pelo filho — Foto: Arquivo pessoal

Edesia Bernardino com as cartas enviadas pelo filho — Foto: Arquivo pessoal

Na Grande Florianópolis, em Santo Amaro da Imperatriz, a aposentada Edésia Bernardino, de 64 anos, guarda o cartão de homenagem ao Dia das Mães do ano passado e as cartas que recebeu do filho caçula. Desde que ele foi preso, há 14 anos, ela faz visitas frequentes na Colônia Penal Agrícola de Palhoça, na mesma região.

“Esse momento de pandemia, de dois meses sem visita, isso está me doendo na alma a saudade. As ligações, que acontecem uma vez por semana, acontecem com a assistente social, e ficamos ouvindo a voz dele longe. Daí recebi a informação de que poderia enviar o email”, explicou. Foi a primeira vez que ela se comunicou com o filho dessa forma.

Ela afirmou que mandou no email uma mensagem positiva e com as novidades que aconteceram nos últimos dias. Mas, também lamentou porque muitas mães não conseguem ter a mesma oportunidade. “Tem muitas sem condições e que nem sabem escrever. O sistema ainda deixa muito a desejar”.

Edésia explicou que, enquanto isso, acaba recebendo o conforto de outros “filhos” que têm no projeto “Reciclando Vidas”, que ajuda mães de outros detentos e também reeducandos que saíram do sistema penitenciário. “Eles precisam de ajuda, poucos conseguem emprego ou muitos não têm pra onde ir. Temos pouco recursos, mas aqui eles encontram uma cama, chuveiro quente e principalmente amor de mãe. A maioria já perdeu a mãe, porque morreram ou não querem mais saber do filho por causa do passado. Mas nada substitui o meu filho”, explicou.

Para outras mães que estão passando pelas mesmas restrições, Edésia deixou um recado. “Que nunca desistam de seus filhos. Que orem por eles. E que tenham muita fé em Deus, que tudo irá passar e logo logo nossos filhos estarão ao nosso lado transformados em cidadãos normais e que daqui para frente somente nos darão alegrias e felicidades com a presença de cada filho em casa”.

Com visitas suspensas, detentos poderão se comunicar por chamada de vídeo com familiares

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Com visitas suspensas, detentos poderão se comunicar por chamada de vídeo com familiares

Casos de Covid-19

Em abril, a Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa confirmou que um detento entrou na unidade de Imbituba, no Sul do estado, com Covid-19. Ele foi isolado e recebeu tratamento médico.

Dois profissionais de saúde, um técnico de enfermagem da Penitenciária de Itajaí e um dentista que atua no Complexo Penitenciário da Agronômica em Florianópolis, também tiveram a doença. Segundo a pasta, todas as pessoas que tiveram contato com o profissional estão sendo monitoradas, conforme protocolo.

Em março quando o estado decretou situação de emergência, 1.077 detentos do sistema prisional foram soltos em março por determinação judicial em função da pandemia do novo coronavírus. A decisão do Poder Judiciário envolveu presos que estão em grupos mais vulneráveis à doença, como idosos e portadores de doenças como diabetes, câncer e HIV, e aqueles internos que já estão perto de progredir para o regime aberto.

Detentos que pertencem ao grupo de risco são soltos

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