Piada de Páscoa: o povo mais preguiçoso do mundo acusa brasileiro de ser vagabundo


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The Economist, a revista que se diz radical de centro mas que na verdade é porta-voz da direita financista, publica nesta edição ampla matéria acusando o brasileiro de ser preguiçoso.

“50 anos de letargia” é o título do texto (a imagem é de alguém deitado numa rede).

Diz que nossa economia só vai voltar a crescer quando o trabalhador brasileiro “sair da letargia”. Compara com o desempenho de chineses e indianos com base num índice de produtividade “estagnado desde os anos 60”.

Claro que o texto do Economist soa como música aos ouvidos daqueles adeptos do darwinismo social – que não são poucos, aliás – prontos para botar no povão a conta de todos os nossos males e nossos atrasos.

Uma cantilena que vem da escravatura: nossa elite operosa e culta sendo obrigada, coitadinha, a conviver com a indolencia, a malemolencia, a malandragem do populacho.

Essa ralé que só pensa em sexo, samba e futebol.

O que The Economist faz é reproduzir um tremendo estereótipo que, no entanto, encanta muitos dos próprios brasileiros e que tem obviamente como gancho oculto a Copa do Mundo. Sem paranoia: por causa da competição que se aproxima, está todo mundo de olho no Brasil e ninguém vai aliviar a nossa cara.

Vai ser um prato cheio para quem está louco, aqui ou lá fora, para requentar aquele nosso velho complexo de vira-lata. Se temos a sétima economia do mundo, e logo chegaremos a ser a sexta, deve ser por sortilégio divino – não pelo trabalho de nossa gente.

Chegaremos a sexta economia, logo, logo, eu disse – em cima sabe de quem? Do Reino Unido. Dor de cotovelo é mesmo péssima conselheira.

The Economist prima pela hipocrisia: nenhum povo no mundo trabalha menos do que os ingleses (recente paper da London School of Economics sugere uma carga horário seminal de 20 horas, para diminuir o desemprego). Eles são hoje 2,5 milhões de sem-trabalho. Adoram um feriado e um expediente camarada. Foram os inventores da instituição dobridge – ou ponte, o feriadão prolongado. Mais da metade da população se encosta em algum tipo de muleta oferecida pelo governo (previdencia social, seguro desemprego, etc). E nós é que somos vadios!

De mais a mais, o país do The Economist tem grande apreço por seus desocupados históricos: a realeza.



Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: [email protected]

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