PARNAMIRIM RN–“Tenho quase certeza que metade da Câmara não irá se eleger”, diz empresário


 que metade da Câmara não irá se eleger”, diz empresário

Nesta entrevista ao jornal Agora Parnamirim, Santana também critica a atual gestão municipal e os vereadores, que, para ele, ‘não fizeram nada’ nessa legislatura

José Aldenir / Agora RN

Empresário Santana conta sua história com Parnamirim, a educação e a política
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A história de vida do empresário potiguar Erasmo Pereira da Silva, de 55 anos, é digna de um drama de superação. Ainda na infância, com apenas cinco anos de idade, testemunhou a morte do pai, assassinado a tiros. Já adulto, agora conhecido como “Santana”, virou empresário de sucesso da construção civil, construindo com as próprias mãos mais de duas mil casas em Parnamirim. Após enfrentar uma crise no setor imobiliário, no início dos anos 2000, ele teve que se reinventar financeiramente. Mesmo analfabeto, decidiu construir uma escola, a Gênesis Colégio e Curso. E foi dentro das salas que ele próprio ajudou a erguer, galgando todos os degraus da educação, desde os livros caligrafia até os mestres da administração e contabilidade, que ele hoje pode se gabar de ter o diploma universitário em gestão pública.

Após ser artífice da própria revolução pessoal, superando tragédias até alcançar o status de empreendedor de sucesso, ele quer levar o entusiasmo e a capacidade de gestão – e também de construtor – para área pública. Santana almeja disputar a cadeira de prefeito de Parnamirim, o terceiro maior município do Rio Grande do Norte. Filiado ao PV, ele atualmente trabalha para se fortalecer para disputa. A diversidade de nomes dispostos para a corrida eleitoral preocupa o empresário. Ele teme que a oposição fracionada facilite a reeleição do prefeito Rosano Taveira.

Caso seja eleito, o empresário espera acabar com o regime de “analfabetismo político” que reina em Parnamirim. “Quero administrar a cidade com a ajuda da população”, define.

Nesta entrevista ao jornal Agora Parnamirim, ele também critica a atual gestão municipal e os vereadores, que, para ele, “não fizeram nada” nessa legislatura. Confira na íntegra:

Agora RN – Qual a sua história com Parnamirim?

SANTANA – Eu ouvia que Parnamirim era a cidade que mais crescia no Rio Grande do Norte. Eu atuava na área de construção civil e disse para mim mesmo: “é para lá que eu vou”. Ao chegar, comecei a trabalhar em algumas obras. Com o tempo, eu me estabeleci na construção civil, acabei por erguer mais de duas mil casas. Depois disso, passei a fazer financiamentos, para que as pessoas me pagassem o valor da construção. Eu fazia o imóvel de acordo com as condições das pessoas. A construção é minha base de formação. Num dado momento, no início dos anos 2000, a prefeitura de Parnamirim subiu tantos os impostos que ficou inviável construir na cidade. A construção civil paralisou por um ano em Parnamirim. Todo o pequeno construtor daquela época quebrou. Com as dificuldades do setor, eu peguei umas casas, apurei o dinheiro e construí uma escola. Criei o Gênesis.

AGORA – Qual a sua história com a educação?

SANTANA – Quando eu saí da construção civil, eu ainda era analfabeto. Eu estudei na minha escola e me formei na minha escola. Comecei a estudar quando vi o professor de história dar aulas com algumas brincadeiras. Eu vi aquilo, gostei e passei a estudar. Fiz supletivo do ensino fundamental. Coloquei o turno noturno na escola para que eu pudesse estudar. Fiz o ensino médio. Aí, eu firmei uma parceria com uma faculdade que presta cursos à distância. Acabei fazendo a graduação de gestão pública. Apesar das dificuldades, eu consegui aprender alguma coisa.

AGORA – Quando o senhor se interessou pela política?

SANTANA – Eu me interessei pela política quando vi o abandono de Parnamirim. Uma cidade tão boa, mas destruída. Antes, eu via placas de emprego. Hoje não temos nem mesmo as indústrias. Os empreendimentos foram para outras cidades, como Macaíba, São Gonçalo do Amarante e Monte Alegre. Eu acredito que o analfabetismo político é algo muito grave. As pessoas não estão prestando atenção a isso. O imposto que o município quer recolher das empresas, caso este seja reduzido, pode ajudar na geração de empregos. Uma média de 20% dos servidores públicos de Parnamirim não mora na cidade. Eles só trabalham por lá, mas vão gastar o dinheiro em outros lugares. As empresas que atuam para o serviço público não são de Parnamirim. Eu, caso seja prefeito, não vou deixar que isso aconteça. Existe um limite para as licitações públicas. Por que não se pode beneficiar pequenas empresas? Por que beneficiar uma grande empresa se eu posso contratar empreendimentos menores e que são do município? As pessoas da cidade trabalhando, ficam satisfeitas, pois elas estão atuando para a cidade e ganhando os recursos.

AGORA – A situação econômica e o desemprego também motivaram a sua entrada na política?

SANTANA – Sim. O desemprego é o que causa a marginalização. Eu, que vim do fundo do poço, como diz o ditado, sou conhecedor de que muitas pessoas capacitadas estão hoje morando nas favelas. Sem o devido apoio, estas pessoas acabam se marginalizando, sem perspectivas.

AGORA – O empreendedor em Parnamirim enfrenta muitas dificuldades para atuar com o setor público?

SANTANA – Vou dar a resposta a partir do meu exemplo. Eu, Santana, nunca peguei uma obra pública em Parnamirim. Fiz obras para outros municípios, mas nunca para Parnamirim. Só fiz a reforma de uma praça, isso há muito tempo, ainda no mandato do ex-prefeito Raimundo Marciano. Além disso, tinha a questão da propina. A situação de pagar propina para pegar obra é algo antigo em Parnamirim. Recebi várias propostas, mas as taxas que pediam para eu ficasse com a obra era muito alta. Eu não fiz. E quem ficou com o serviço, no entanto, acabou quebrando, pois não tinha recurso para bancar o valor pedido. Hoje, estão condenando as empresas que estavam pagando propina. Mas, naquela época, era o seguinte: ou pagava ou ficava sem a obra. Como não queria ficar com essa questão, passei a atuar apenas com a construção de casas.

AGORA – Quais são os potenciais de Parnamirim? Como vê o setor de serviços e o comércio?

SANTANA – Você precisa incentivar mais o comércio local. Não vejo estímulos para fortalecê-lo. Parnamirim, por sinal, é a única cidade que eu conheço que não tem uma rodoviária. As pessoas estão pegando ônibus nas marginais da BR-101. Não há um local para que as pessoas aguardem. Os passageiros esperam pelos ônibus embaixo das barraquinhas de ambulantes. Por que não se pode fazer uma parceria com os empresários para se construir espaços comerciais em uma rodoviária? Além disso, eu não consigo entender até agora o fechamento do Aeroporto Augusto Severo, que era o considerado o segundo melhor do país.

AGORA – Que avaliação o senhor faz da gestão Rosano Taveira?

SANTANA – Eu preciso falar sobre a questão do analfabetismo político. O secretariado é despreparado. Você, como prefeito, pode até ser despreparado, mas não pode se cercar de pessoas sem a capacidade para atuar. Se você tem vários secretários despreparados, não há como você ir para a frente. Isso é falta de gestão. É preciso colocar verdadeiros profissionais. Nós temos um coronel reformado da Polícia Militar como prefeito, mas temos uma das cidades mais violentas do Rio Grande do Norte. Isso mostra que ele não tem capacidade administrativa. Se o prefeito não consegue resolver a área que ele entende, que é a da segurança, como é que ele atuar em outras áreas? Quando você vai buscar emprego numa indústria, é preciso que se apresente um currículo. Na política, deveria acontecer a mesma coisa. Não podemos votar numa pessoa apenas porque me disseram para fazer isso.

AGORA – As últimas eleições trouxeram uma ruptura dos quadros tradicionais da política potiguar. Você acredita que o fenômeno também acontecer em Parnamirim?

SANTANA – A mudança vai acontecer. Já recebemos algumas pesquisas que mostram que os eleitores de Parnamirim não irão votar em quem está no poder ou em quem já esteve. Não é fácil lutar contra a máquina do dinheiro, mas a população, principalmente os mais jovens, está partindo para outra situação. As pessoas estão acompanhando mais a política. Eu acredito que Parnamirim está neste caminho de mudança. Eu tenho quase certeza que metade da Câmara não irá se eleger. Os vereadores não fizeram nada, não fiscalizaram nada.

AGORA – Por que escolheu o Partido Verde?

SANTANA – Eu acredito que o Partido Verde tem a cara do povo. Transmite paz e desenvolvimento. É um partido que não está envolvido com esquemas de corrupção. Eu queria uma coisa séria, e escolhi um partido sério. Não tem como eu me filiar ao PT, PMDB ou outra legenda envolvida em escândalo. Não tenho como me apresentar num lugar em que está tudo errado. Já fui candidato a vereador uma vez, para disputar uma vaga na Câmara. Nas pesquisas eleitorais, em 2012, eu era o mais citado. Na época, o partido em que estava filiado, o PSDC, resolveu fazer uma coligação com outra legenda para tentar eleger dois vereadores. Eu fui contra isso. Acabou que não elegeram ninguém. Para as próximas eleições, eu estou em busca de parcerias. Não posso andar sozinho. Eu sei que, se quatro ou cinco saírem para concorrer, o prefeito será reeleito. Estamos trabalhando para fortalecer a oposição. Não posso ver a cidade de Parnamirim se destruir. Aliás, nunca fui convidado para ajudar a administração pública. Mas, se um dia eu for prefeito, eu não vou querer administrar sozinho. Eu vou trazer o povo para administrar comigo. Precisamos mudar Parnamirim.

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