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Mulher busca no IML de RR notícias do marido preso: ‘acredito que morreu’

Diarista de 42 anos diz que irmão do marido também está entre os mortos.
IML montou força-tarefa; 31 detentos foram mortos na maior prisão do estado.

Jackson FélixDo G1 RR

Mulher de preso acredita que marido possa estar entres os 31 mortos (Foto: Jackson Félix/ G1 RR)Mulher de preso acredita que marido possa estar entres os 31 mortos (Foto: Jackson Félix/ G1 RR)

Uma diarista de 42 anos está no Instituto Médico Legal  (IML) atrás de informações sobre o marido preso na Penitenciária Agrícola de  Monte Cristo (Pamc). Ela acredita que o companheiro está entre os 31 mortos no massacre desta sexta-feira (6).

De acordo com o Governo, nesta madrugada, 31 presos foram mortos na unidade, que é a maior prisão do estado. Os assassinatos foram por volta das 2h30. Não houve rebelião.

A diarista, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que o irmão do marido foi morto dentro a penitenciária. O corpo dele foi liberado na tarde desta sexta-feira (6).

“Estou aqui desde às 14h e nada de informações sobre quem são os mortos, é angustiante. Só saio daqui depois que tiver algo sobre meu marido, pois acredito ele esteja morto. Falei com ele ontem, mas hoje não consegui contato hora alguma”, disse.

De acordo com a mulher, o marido estava preso há 17 anos, não era ligado à facções e cumpria pena por tráfico, furto e homicídio.

Familiares de outros detentos também foram ao IML em Boa Vista em busca de notícias.

O Governo informou em nota que foi montada uma força-tarefa para fazer a identificação dos corpos.

“O IML designou seis peritos (médicos legistas e odontolegistas) e seis auxiliares de necropsia para agilizar os trabalhos de liberação dos corpos dos detentos mortos na Pamc”.

Familiares das vítimas do massacre aguardam liberação dos corpos do lado de foda do IML (Foto: Jackson Félix/ G1 RR)Familiares das vítimas do massacre aguardam liberação dos corpos do lado de fora do IML (Foto: Jackson Félix/ G1 RR)

‘Presos ‘destroçados’ e decapitados’, diz secretário
De acordo com o titular da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), Uziel Castro, durante esta madrugada, 31 presos foram brutalmente assassinados na unidade que fica na BR-174, zona Rural da capital. Alguns presos foram decapitados e outros ‘destroçados’, segundo Castro.

Em coletiva de imprensa, o secretário Uziel Castro afirmou também que os presos mortos não eram ligados a nenhuma facção criminosa.

No entanto, ele afirmou que os autores do massacre são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Há cinco dias, 56 presos do PCC foram mortos durante uma rebelião em um presídio de Manaus, no Amazonas, por dententos do grupo rival Família do Norte (FDN). O motim durou 17 horas e teve fuga de mais de 180 detentos.

Castro afirmou que ainda não se sabe o motivo do massacre e relembrou que na unidade prisional onde aconteceram as mortes não há presos de outras facções além do PCC.

“Não foi um confronto de facções [em Roraima]. Isso é uma crise nacional que o país está vivendo neste momento […] Foi uma ação isolada de presos do PCC contra pessoas que não eram ligadas a nenhuma facção”, declarou Castro.

Confronto de facções
Em outubro, 10 detentos morreram na penitenciária agrícola durante um confronto de duas facções rivais e familiares foram feitos reféns. Alguns detentos foram queimados e outros decapitados. Na época, a polícia apontou 50 suspeitos dos assassinatos.

O número de mortos colocou Roraima em 9º no ranking de mortes violentas em presídios, conforme levantamento do G1.

Após o confronto, presos de facções rivais foram separados em unidades e chefes de organizações foram transferidos para outros presídios. Alguns foram levados para um presídio de segurança máxima no Rio Grande do Norte.

Superlotação
A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo é a maior unidade prisional de Roraima e até outubro abrigava mais de 1,4 mil presos, o dobro da capacidade. O presídio é administrado pelo próprio estado e tem condições “péssimas”, segundo uma inspeção do Conselho Nacional de Justiça de setembro de 2016.

Em dezembro, o governo anunciou a construção de um presídio de segurança máxima no estado para abrigar presos do regime fechado. Na ocasião, foi informado que as obras começariam em janeiro deste ano.

Ao todo, o presídio deve custar R$ 31 milhões, mais da metade dos R$ 46 milhões liberados pelo Ministério da Justiça para reestruturar o sistema prisional de Roraima.

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Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: [email protected]

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