FOTOS IMAGENS-Menina com paralisia tem a vida ligada a tomadas e mãe vive angústia; ‘Se faltar luz, minha filha morre’


paralisia cerebral, luta para conseguir um gerador — Foto: Filipe Barbosa/ Inter TV

Rafaela Ribas, de 13 anos, tem paralisia cerebral e depende de aparelhos instalados na casa dela, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, para viver.

Os equipamentos funcionam com energia elétrica e as constantes quedas de luz, que são alvo de investigações do Ministério Público do Estado do RJ, da Câmara e do Procon, tiram a paz da família, que mora no bairro Jardim Olinda.

Apesar da menina não ter movimentos e não falar, a mãe dela, Simone Costa, esbanja energia e alto astral. Mas a luz de Simone também está ligada a tomadas e se apaga diante da falta de energia elétrica.

“Se faltar luz, a minha filha morre”, explica a mãe, que espera por um gerador prometido pela concessionária Enel.

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Em Cabo Frio, quedas de energia colocam em risco a vida de pacientes ligados a aparelhos

Em Cabo Frio, quedas de energia colocam em risco a vida de pacientes ligados a aparelhos

Equipamentos

Entre os aparelhos essenciais para Rafaela estão três cilindros de oxigênio e um aspirador nasal. O ar condicionado fica ligado 24 horas e serve para prevenir infecções.

O Bipap é um compressor que auxilia na respiração durante o sono, evitando episódios de apneia. A doença se caracteriza pela interrupção das vias aéreas e pode levar ao infarto, acidente vascular cerebral (derrame) e outras consequências graves.

Quando a luz cai, o desespero aumenta e a esperança diminui a cada segundo. O nobreak, uma espécie de gerador, tem capacidade para garantir o funcionamento das máquinas por apenas duas horas.

“Me sinto vazia, inútil… Ao mesmo tempo que eu sou uma mãe guerreira, me sinto de mãos e pés atados sem poder dar um suporte para ela”, se emociona Simone.

Mesmo tendo prioridade no fornecimento de energia, família de Rafaela vive a angústia das quedas de luz — Foto: Reprodução/site Enel

Mesmo tendo prioridade no fornecimento de energia, família de Rafaela vive a angústia das quedas de luz — Foto: Reprodução/site Enel

Quadro se agravou após cirurgia

Rafaela nasceu com a deficiência e teve o quadro agravado depois de passar por uma cirurgia em setembro de 2018. A família aponta para erro médico, já que a menina foi “esquecida” do balão de oxigênio.

“Ela teve uma parada cardíaca e precisou ser reanimada. Injetaram até adrenalina”, lembra a mãe.

A partir de outubro do ano passado, a jovem saiu do hospital e passou a depender dos equipamentos em casa. Ela foi cadastrada como “Cliente Vital” da concessionária Enel. A empresa tem ciência da gravidade do quadro de Rafaela e ela tem prioridade no fornecimento de energia.

Mas isso não impede que eles passem por momentos de extrema tensão e angústia, como aconteceu no dia 25 de março deste ano. Um poste pegou fogo e a luz só retornou por conta de uma ligação feita entre postes pela própria concessionária nos últimos segundos de funcionamento do nobreak.

“Se não fosse isso, eu teria ficado sem luz de 22h50 até 4h59, que foi o que aconteceu com o restante dos moradores. Minha filha teria morrido…”, diz Simone.

Após esse episódio, a mãe de Rafaela conta que a Enel prometeu disponibilizar um gerador em algumas horas, mas a espera já dura semanas e vai completar um mês no dia 25 de abril.

“Minha pergunta é: Para que serve ser cliente vital se eu continuo sem luz quando há queda? A gente fica nessa apreensão 24h por dia”, disse o pai, Rafael Ribas.

G1 entrou em contato com a Enel para saber se há previsão de entrega do gerador e aguarda um posicionamento.

Pedidos de esclarecimentos

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com um pedido de esclarecimento sobre os problemas de fornecimento de energia elétrica no dia 20 de março.

Segundo o MP, o órgão tem recebido reclamações constantes sobre a falta de luz, que vem causado prejuízos aos consumidores de Arraial do Cabo, Armação dos Búzios e Cabo Frio.

O Procon também investiga as quedas de energia. Segundo o órgão, as denúncias ficaram mais frequentes desde 2015. Foram 11 em 2015; 12 em 2016; 26 em 2017; 118 em 2018 e 22 até o mês de abril de 2019.

* Estagiária sob supervisão de Fernanda Soares.

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