ALTO DO RODRIGUES RN-Ex-ministro aponta “lobby de Lula”


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São Paulo (AE) – Para o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Lula, Miguel Jorge, que aparece em e-mail a executivos da Odebrecht citando lobby do ex-presidente, a atuação de chefes de Estado e ministros em prol de empresas do próprio país no exterior faz parte do papel dos governantes de buscar expandir as atividades comerciais.

Marcelo Casal/AbrMiguel Jorge afirma que atuação de presidentes em prol e empresas faz parte do papel de governantesMiguel Jorge afirma que atuação de presidentes em prol e empresas faz parte do papel de governantes

Um e-mail datado de fevereiro de 2009 e interceptado pela Polícia Federal na Operação Erga Omnes, desdobramento da Lava Jato, revela que dois executivos da empreiteira, Marcos Wilson e Luiz Antonio Mameri, conversam com o então ministro de Lula. “Miguel Jorge afirma que esteve com os presidentes (do Brasil e da Namíbia) e que ‘PR fez o lobby’, provável referência ao presidente Lula”, registra análise feita pela PF.

Indagado sobre o episódio, Miguel Jorge respondeu com naturalidade. Até lembrou de um capítulo ocorrido há mais de quarenta anos. “A primeira visita da rainha da Inglaterra ao Brasil nos anos 70 foi especificamente para vender aviões ingleses, de uma empresa que depois foi uma das que formaram a Airbus. Acho que esse é o papel dos governantes, de realmente se esforçarem para ter um comércio exterior maior para os seus países”, disse o ex-ministro.

Consultado sobre o e-mail em que diz ‘PR fez o lobby’ em referência ao presidente Lula em um encontro com o presidente da Namíbia em 2009, Miguel Jorge diz que não se recorda do episódio Ele reafirma, contudo que fez lobby para empresas brasileiras quando foi ministro. “Eu fazia lobby pra todas as empresas brasileiras, independente de qual fosse, de frango de carne, de construção, de tubo, esse inclusive é o papel do ministro né?”, indaga.

Ele explicou ainda que a Odebrecht fazia parte de um consórcio junto com a Eletrobrás e Furnas na obra da hidrelétrica da Namíbia. Em 2008, a Eletrobrás recebeu aprovação para atuar no exterior e estava à procura de oportunidades na América Latina e na África.

De acordo com Miguel Jorge, os lobbies eram sempre “muito técnicos” e “muito éticos”. “Dissemos que a empresa é boa e faz bem (sua atividade). No caso da Odebrecht que ela constrói bem, se fosse outra empreiteira a gente teria feito a mesma coisa. Esse é um papel institucional do ministro do Desenvolvimento”, disse.

Ele conta ainda que durante seu tempo como ministro realizou mais de 10 missões comerciais no exterior para divulgar empresas brasileiras. Nestas viagens institucionais, explica Miguel Jorge, iam representantes de cerca de 100 empresas. Já nos encontros do presidente Lula com outras autoridades o número era menor “normalmente eram 8, 10, 12 empresas”, relatou.

Em 4 sentenças, Lava Jato rastreou R$ 200 milhões
Apenas quatro ações criminais já julgadas na Operação Lava Jato, envolvendo duas das maiores empreiteiras do País, confirmam pagamento de R$ 200.595.035,94 em propinas às diretorias de Abastecimento e de Serviços da Petrobras. De acordo com as sentenças do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, parte dos valores foi recebida pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, pelos ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços), Nestor Cerveró (Internacional) e Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e pelo ex-gerente de Engenharia da companhia Pedro Barusco.

O rombo global nos cofres da estatal petrolífera alcançou R$ 6,2 bilhões, segundo o próprio balanço da companhia – mas pode chegar a R$ 19 bilhões, segundo investigações da Polícia Federal. O resumo das quatro condenações que confirmam repasses de R$ 200,5 milhões foi incluído por Sérgio Moro no decreto de prisão preventiva do empresário João Augusto Henriques, apontado como lobista na estatal petrolífera e acusador do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) – Henriques disse à PF que abriu uma conta na Suíça para depositar propinas para o peemedebista.

O destaque do juiz federal de Curitiba foi inserido no despacho de prisão preventiva de Henriques, dois dias depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) fatiou a Lava Jato, tirando de suas mãos importantes desdobramentos da investigação que tem raiz na Petrobras.

Costa e Barusco fizeram delação premiada e admitiram envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras. Duque e Cerveró negam. O juiz Moro aponta que intermediaram o pagamento das propinas e se encarregaram da lavagem de dinheiro o doleiro Alberto Youssef, o empresário Júlio Camargo e os lobistas Mário Góes, Adir Assad e Fernando “Baiano” Soares, ligado ao PMDB. Youssef, Camargo, Góes e Baiano são delatores na investigação.

Primeira empreiteira a ter seus executivos condenados no esquema de corrupção instalado na Petrobras entre 2004 e 2014, a Camargo Corrêa fechou, recentemente, acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e com o Ministério Público Federal para revelar irregularidades na estatal petrolífera e na Eletronuclear, cujo ex-presidente, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, foi preso. Na sentença, Sérgio Moro apontou que os dirigentes da Camargo Corrêa pagaram R$ 50.035.912,33 em propinas à diretoria de Abastecimento da Petrobras.



Levany Júnior

Levany Júnior é Advogado e diretor do Blog do Levany Júnior. Blog aborda notícias principalmente de todo estado do Rio Grande do Norte, grande Natal, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau, Assú, Mossoró e todo interior do RN. E-mail: [email protected]

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