A PALAVRA DO DIA-No deserto – Dt 8:1-5


Queridos irmãos, vamos ler Deuteronômio 8:1-5

Cuidareis de cumprir todos os mandamentos que hoje vos ordeno, para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR prometeu sob juramento a vossos pais.  2 Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.  3 Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem.  4 Nunca envelheceu a tua veste sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos.  5 Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o SENHOR, teu Deus.

O texto que temos diante de nós faz parte de um dos últimos discursos de Moisés ao povo de Israel.

Os israelitas estavam acampados a leste do rio Jordão.

Moisés, o líder do povo de Deus, o homem que guiara os israelitas durante os quarenta anos de peregrinação no deserto, estava vivendo seus últimos dias na terra, e depois de sua morte começaria uma nova etapa na vida de Israel: o tempo em que eles deveriam atravessar o Jordão e conquistar Canaã, a terra que o Senhor lhes prometera.

Então Moisés está exortando Israel no sentido de que, durante os tempos de conquista da terra, e mais tarde, depois de terem alcançado tudo o que Deus havia prometido, eles não se esquecessem do Senhor: o Deus que os havia tirado da escravidão no Egito; o Deus que os havia guiado, que havia estado com eles durante os tempos do deserto, e que agora lhes dava a terra de Canaã.

Que não se esquecessem de Deus, que confiassem nele, que guardassem os seus mandamentos.

O apóstolo Paulo nos diz que aquelas coisas que aconteceram aos israelitas são exemplos, ilustrações para a nossa vida como crentes em Jesus, com as quais podemos crescer em nossa vida com Deus.[1]

Vamos iniciar destacando uma frase do v. 2 – “no deserto”

– “O Senhor teu Deus te guiou, no deserto”

O testemunho bíblico nos diz que há tempos em que a vida dos filhos de Deus se torna como que num “passar por um deserto”.

Certa ocasião, para expressar a sua perplexidade com o que estava acontecendo, o seu sentimento de que Deus estava longe, Jó disse que, se caminhasse em frente, ali Deus não estava; se voltasse atrás, não o percebia; se Deus fizesse algo à sua esquerda, não notaria; se Deus se escondesse à sua direita, ele não saberia.[2]

Jó estava se sentindo exatamente ao contrário do rei Davi no Salmo 139, que não podia se esconder da presença de Deus.

Você já se sentiu assim?

Já teve a sensação de que as promessas de Deus para sua vida simplesmente não se realizaram?

Já teve o sentimento de que Deus já não ouve mais as suas orações, como antigamente?

Que o chamado de Deus para a sua família, para o seu ministério, para a sua igreja, para a sua vida, não aconteceu?

Já sentiu alguma vez que, em vez de alcançar a “terra prometida”, você está “no deserto”?

Você já se sentiu sem forças para continuar?

Eu sei, meus irmãos, que dizer que a vida cristã às vezes é um deserto, não é a tônica na maioria das igrejas contemporâneas.

De modo geral, a palavra de ordem entre os crentes é “conquistar a terra prometida”, “tomar posse das bênçãos”. De modo geral, afirma-se que hoje estamos em “tempos de reavivamento”, “tempos de restituição”.

Mas, ainda que isto possa ser verdade na vida de muitos grupos e de muitos indivíduos, precisamos também reconhecer e admitir que para muitos não é.

Muitas pessoas dentro destas mesmas igrejas, muitas famílias, e muitas igrejas, estão passando por tempos de provações, de sequidão espiritual.

Muito povo de Deus, em vez de estar experimentando prosperidade, está passando dificuldades, sofrendo perseguição, escassez.

Muitos filhos de Deus estão sofrendo psicologicamente, emocionalmente, fisicamente.

E muitos, como Jó, e os salmistas, ficam se perguntando: “Por quê? O que está acontecendo? Porque Deus ouve as orações de outras pessoas, mas não ouve as minhas? Onde estão os desejos que, eu pensava, Deus havia colocado no meu coração? O que Deus está querendo com isto?

E muitos se sentem tentados a deixar as igrejas, a largar mão de tudo, a não batalhar mais.

Se você de alguma maneira está experimentando estas coisas, a Palavra que eu tenho hoje é para você.

Eu quero falar para os que estão no deserto: o que Deus está fazendo em meio a tudo isto, aonde ele quer chegar, o que você deve fazer.

Mas, se você, filho de Deus, não está passando por isto, então esta Palavra também é para você.

Para o seu crescimento no conhecimento dos caminhos de Deus, do modo de Deus operar na vida de seu povo, e para que assim, conhecendo um pouco mais o coração de Deus, você possa falar a Palavra de Deus aos que estão no deserto, você possa ser uma voz que clama, falando ternamente ao coração do povo do Senhor, preparando o caminho do Senhor.

  1. O que é deserto?

Deserto não é terra prometida.

Por favor, observe a grande diferença, o grande contraste entre o deserto e terra prometida.

Vamos começar com a terra prometida.

  1. 7-10 – “Porque o SENHOR, teu Deus, te faz entrar numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes, de mananciais profundos, que saem dos vales e das montanhas; 8terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e mel;  9 terra em que comerás o pão sem escassez, e nada te faltará nela; terra cujas pedras são ferro e de cujos montes cavarás o cobre.  10 Comerás, e te fartarás, e louvarás o SENHOR, teu Deus, pela boa terra que te deu.”

Agora vejamos o que é deserto.

  1. 15 – “Que te conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões e de secura, em que não havia água; e te fez sair água da pederneira”.

“Terra da promessa” é quando aquelas coisas maravilhosas que a Palavra de Deus disse que serão tuas se tornam realidade em tua experiência.

É terra de fartura, prosperidade, abundância. É terra que produz muitos frutos, onde há pão em abundância. Terra prometida é quando as promessas pessoais, para a família, para a igreja, estão se cumprindo.

É quando você experimenta constantemente o agir de Deus abençoando abundantemente a sua vida emocional, espiritual, profissional, e na igreja o derramar do Espírito Santo, e vidas se convertendo a Jesus.

E a Bíblia diz que as alegrias que o Senhor nos concede neste mundo, são apenas um experimentar, uma pequena mostra dos poderes, das alegrias do mundo vindouro, pois a nossa pátria verdadeira está nos céus, na eternidade.

As bênçãos neste mundo são apenas “sinais” de uma terra além.

E o que é deserto? É quando o crente não está experimentando nem mesmo estas pequenas amostras. Deserto é quando o crente está passando por uma terra seca, onde não há água. Terra cheia de escorpiões e serpentes, terra de perigos, de tentações. Terra de escassez.

Veja: no deserto, o Senhor teu Deus te sustenta, mas ele dá apenas o pão de cada dia. Ele te dá o alimento necessário, mas não em abundância.

Ele te dá a veste, o calçado, mas apenas o necessário. As coisas “não estão sobrando”; aliás, você sente muitas necessidades.

Terra em que a tentação é, como aconteceu com os israelitas, o perguntar: – “O que é feito das promessas de Deus para nós? Será que Deus não nos ama? Será que Deus não me ama”?

Ou como nos dias do profeta Malaquias, em que o povo do Senhor pecava dizendo: – “De que adianta servir a Deus, se não estamos prosperando? Eis que temos por felizes aos que não temem o Senhor, pois vivem em seus pecados e mesmo assim desfrutam a vida alegremente.”[3]

Tempos em que a grande tentação é a de desistir.

Desistir de ser santo; desistir de orar; desistir de pregar a Palavra.

  1. Ainda que deserto não seja terra prometida, ele faz parte do propósito de Deus para a nossa vida

Israel ficou quarenta anos no deserto.

A Elias, o anjo do Senhor disse: – “Come, porque o teu caminho será longo”, e por quarenta dias e quarenta noites  Elias caminhou pelo deserto até o monte Horebe, onde Deus falaria com ele.

Depois de ungido rei de Israel pelo profeta Samuel, Davi viveu muitos anos errante entre os israelitas e até entre os inimigos amalequitas, antes de ser reconhecido pelo povo.

Paulo, depois de convertido e chamado para o ministério, teve que esperar muito tempo, até que Barnabé fosse buscá-lo para iniciar seu ministério.

José amargou muitos anos como escravo de Potifar, e depois na prisão, antes que as promessas de Deus se cumprissem na vida dele.

E para que experimentasse tudo o que os homens experimentam, e assim pudesse efetivamente ser aperfeiçoado como nosso Salvador, o Senhor Jesus, antes de começar a pregar, passou quarenta dias e quarenta noites no deserto.

Eu gostaria de ler com vocês Mateus 4:1-4

A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.  2 E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.  3 Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.  4 Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

Note: Jesus  foi levado ao deserto para ser tentado. Porque, conforme a carta aos Hebreus, ele precisava passar por tudo o que nós passamos. Mas não é só isso: ele foi levado pelo Espírito.

Então, ali no deserto, ele não estava a sós com o diabo. Em outro lugar, Jesus disse assim: – “O Pai nunca me deixou só”.[4]

E por isto nós também vemos: para Jesus, o deserto não foi lugar de derrota, mas de vitória.

Ora isto eu desejo destacar: ainda que Israel estivesse no deserto, o Senhor estava com eles.

Veja nos vs. 2,3 – “O Senhor teu Deus te guiou”.

– “O Senhor teu Deus te humilhou, te deixou ter fome. O Senhor teu Deus te sustentou”.

Ainda que o deserto seja uma terra árida, ele é pleno da presença de Deus em nossa vida.

Entenda uma coisa: você pode estar num deserto, mas você não está só. Você pode estar passando por tempos de sequidão, de humilhação, mas Deus está com você. Ele te sustenta; ele te guia.

No deserto, Israel se sentia dando voltas sem chegar a lugar algum, mas o profeta Isaías comenta que ali o Espírito de Deus estava guiando seu povo, para a glória do seu nome. [5]

Quando Jó estava sendo provado, ele sentia que Deus não estava com ele; mas Deus o havia deixado? Não.

Quando Daniel e Ezequiel foram levados para o cativeiro, Deus os havia abandonado?

E quando Jeremias foi levado para o Egito?

Mesmo que você não sinta a presença de Deus, ele está com você.

Pois ele disse assim: – “Nunca de deixarei; jamais te abandonarei”.[6]

E sabe o que é realmente importante? Sabe o que realmente faz diferença entre o crente e o incrédulo?

Não é a conta bancária. Não é o bem estar social. Não é o bem estar neste mundo. É a presença de Deus.

Veja o entendimento de Moisés a respeito disto.

Êx 33:16

Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?

Como vamos saber se estamos debaixo da tua graça? É pela nossa posição neste mundo? É pela presença de Deus conosco.

Moisés nunca entrou na terra prometida. Ele pediu mais de uma vez, mas o Senhor não atendeu. Mas Moisés nunca abriu mão da presença de Deus, pois isto é o que importa.

Isto é que faz do deserto um lugar abençoado.

  1. Deserto é lugar de bênção, de crescimento, de vitória

A esta altura eu creio que preciso responder a uma indagação que alguém pode estar fazendo: – “Mas, Israel não precisou passar pelo deserto por causa de sua incredulidade no poder de Deus? Pois, se eles não tivessem ficado com medo dos cananeus, certamente teriam entrado na terra prometida muito tempo antes.”

É verdade. Por causa da pequena fé eles demoraram mais tempo.

Não vamos falar agora a respeito do quanto tempo tem que durar um deserto, mas quero responder com outra pergunta: somos melhores que nossos antepassados israelitas? Somos mais maduros? Cometemos menos pecados? Erramos menos? Temos menos necessidade de crescimento?

Então veja: por causa das necessidades espirituais deles, o Senhor os colocou no deserto; mas não para que eles fossem derrotados.

Consideremos o propósito de Deus. Eu quero destacar dois objetivos básicos.

Primeiro, (v. 2), para humilhar, para provar, para que os segredos do coração fossem revelados.

Os desertos mostram a quantas andam nossa vida espiritual. Mostram como está a nossa fé. Mostram como está o nosso caráter.

Em 1ª Co 10, o apóstolo Paulo faz um resumo, um esboço dos pecados que os israelitas cometeram caíram no deserto (eu pretendo voltar a este assunto noutra ocasião).

No deserto, eles se voltaram para a idolatria; no deserto, eles se voltaram para diversões carnais; cometeram imoralidade; rebelaram-se várias vezes contra as autoridades espirituais; murmuraram vezes sem conta.

Vejam: quando eles haviam acabado de atravessar o mar como por terra seca, eles estavam se sentindo espirituais, vitoriosos, e cantavam que o Senhor lançou no mar o cavalo e seus cavaleiros dando vitória a Israel.[7]

Mas depois, as dificuldades do deserto trouxeram à tona a inconstância do coração humano.

Os desertos nos revelam as nossas fraquezas.

Segundo (v. 3), para que você aprendesse o que é realmente de valor na vida.

Ao mesmo tempo em que os pecados do nosso coração são revelados, o Senhor está ensinando a viver, não pelas circunstâncias, mas pela sua Palavra.

Você aprende algo que o incrédulo não consegue aprender, porque como diz Paulo, só pode aprender aquele que recebeu o Espírito que vem de Deus.[8]

Você aprende que a verdadeira vida, o reino de Deus, não consiste em comida e bebida, mas em justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

Agora eu quero novamente voltar a Jesus, naquele momento em que estava no deserto, sendo tentado pelo diabo.

Mt 3:3,4

Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.  4 Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

Sabe o que acontece quando você está no deserto sendo tentado? Você não está somente aprendendo quem você realmente é por dentro.

Mas também está aprendendo a ser como Jesus em seu caráter. Está aprendendo a viver em santidade, pela Palavra de Deus. Está aprendendo a confiar em Deus independente de tempos bons ou tempos maus. Está aprendendo a confiar em Deus, e não em si mesmo.

E quando você aprende a confiar em Deus, e não depender das circunstâncias, o deserto se torna uma terra habitável; a terra árida se torna um manancial.

Jr 17:5-10

Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!  6 Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.  7 Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR.  8 Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.  9 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?  10 Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações.

Não deixa de dar fruto. Que fruto é este?

Milagres, dons espirituais? Mas Judas fez milagres em nome de Jesus: expulsou demônios e curou enfermos.

Riquezas materiais? Mas até os ímpios possuem bens materiais.

Fruto do ponto de vista de Deus: caráter semelhante ao de Jesus.

Com diz a carta aos Hebreus, o Senhor disciplina os seus filhos para aproveitamento, a fim de que se tornem participantes de sua santidade.[9]

É isto o que o Espírito Santo quer dizer também quando afirma que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, pois foram predestinados para ser conformes a imagem de Jesus.[10]

No deserto o Senhor guiou Israel, ensinou Israel. No deserto o senhor falou com Elias. No deserto o Senhor treinou Davi, preparou José, e Paulo.

O Senhor falou por intermédio de João Batista, “voz do que clama no deserto”.

Conclusão

Muitas vezes os filhos de Deus passam por desertos: períodos de secura espiritual, ou emocional, ou profissional, ou ministerial; desertos que podem atingir qualquer área de suas vidas.

Mas mesmo no deserto, o Senhor está com os seus filhos: ele os sustenta, ele os guia, ele os protege.

No deserto, o Senhor faz de seus filhos, participantes de sua santidade. Pois através da santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor, é que chegamos à pátria celestial.

Aplicação

Vamos ler 1o  Cr 12:32

Dos filhos de Issacar, conhe



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