A PALAVRA DO DIA-A natureza dos anjos – A beleza do mundo espiritual


Tiago Rosas
em

A matéria angelologia não tem recebido muita atenção dos teólogos e escritores contemporâneos. Porém, nos cultos de muitas igrejas pentecostais e neopentecostais vemos alguns excessos e abusos sendo ensinados e praticados quanto à natureza e função dos anjos. Conquanto não possamos ser incrédulos quanto à presença e à manifestação de anjos em nossos dias para auxílio do povo do Senhor, não devemos ser ignorantes quanto ao que a Bíblia diz sobre o assunto nem demasiadamente curiosos para não sermos feitos presas fáceis dos hereges e enganadores que se têm espalhado nos arraiais evangélicos. Visto que nosso tema deste trimestre é batalha espiritual, voltemos às páginas da Bíblia sagrada para ver de que forma esses maravilhosos seres celestiais participam de nossas batalhas, sem subestimar nem superestimar sua atividade.

I. Os anjos

  • Distorções quanto ao ensino da angelologia

Não é de hoje, nem somente pentecostais ou neopentecostais não instruídos têm demonstrado certa distorção ou fanatismo quanto à natureza e atuação dos anjos. Desde os dias do apóstolo Paulo já se falava em “culto dos anjos”, praticado por alguns hereges que buscavam influenciar os cristãos (Cl 2.18), e que, segundo Soderlund, tratava-se de “um culto de adoração angelical, não atestado dentro do judaísmo como tal, porém não inconcebível na mistura de movimentos religiosos representados naquela parte da Ásia Menor” [1]. Talvez se tratasse, como propôs Barclay, de uma mistura de crenças judaicas e gnósticas sobre a mediação dos anjos entre Deus e os homens, tornando-os dignos de adoração.

Na Idade Média, entre os escolásticos, também se notou certa obsessão desmedida pela natureza dos anjos. Walter Brunelli lembra que nessa época “houve muitas discussões acerca desses seres celestiais. Os teólogos, interessados em entender a sua natureza – relação de anjos no espaço físico – chegavam a discutir sobre quantos anjos caberiam na cabeça de um alfinete! Inquiriam se os anjos podiam estar em dois lugares ao mesmo tempo, se os anjos da guarda respondem pelas crianças, quando elas morrem etc.” [2]. Não raro ouvimos discussões igualmente banais em nossos dias sobre os seres celestiais. Quando a mente humana quer compreender mais do que lhe está revelado, naturalmente descamba para especulações e achismos que nada contribuem para o aprendizado sadio das verdades espirituais.

Ainda em nossos dias, mesmo entre eminentes expositores das sagradas Escrituras, é possível encontrar posições doutrinárias por vezes estranhas sobre os anjos. O saudoso pastor Russel Shedd, de envergadura teológica indiscutível, tinha um entendimento não comum sobre o papel dos anjos na igreja. Cria ele, por exemplo, que naqueles polêmicos casos dos “dentes de ouro” que apareciam na boca de algumas pessoas em cultos pentecostais ou neopentecostais, ali estavam ocorrendo não manifestações diretas de Deus, mas operações angélicas [3]. Cria ele ainda que os dons espirituais são operações angelicais no crente. Respeitamos a memória do estimado pastor Shedd, embora divergimos dele nestes específicos.

Pontuamos essas questões acima apenas para afugentar a exclusividade da culpa que se querem atribuir aos pentecostais e neopentecostais no que concerne aos erros quanto à doutrina dos anjos, embora eu esteja disposto a admitir que devido a grande abertura para o sobrenatural e para experiências e manifestações espirituais, as igrejas que abraçaram a continuidade dos dons espirituais estão mais suscetíveis ao engano, caso não acrescentem, como dizia o teólogo pentecostal inglês Donald Gee, mais profunda reflexão à experiência pentecostal. “Crescei na graça e no conhecimento” – essa é a recomendação petrina pela qual podemos alcançar a doutrina correta e a experiência de poder, no devido equilíbrio! (2Pe 3.18)

  • Etimologia e conceito

Vejamos a palavra anjo nas principais línguas que são foco de nosso estudo bíblico:



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